EVASÃO ESCOLAR EM TEMPOS DE PANDEMIA: REFLEXÕES SOBRE A COVID-19 E SEUS IMPACTOS NA EDUCAÇÃO

SCHOOL DROPOUT IN TIMES OF PANDEMIC: REFLECTIONS ON COVID-19 AND ITS IMPACTS ON EDUCATION

DÓI: https://doi.org/10.5281/zenodo.21556071

AUTORES

Aldo da Silva Melo[1]

Antonia Sandra de Souza Dias[2]

Aparecida Sampaio de Aquino[3]

Noeme Pereira Sucupira[4]

Thávilla Roany de Queiroz Freitas Lima[5]

 

[1] Mestrando em Ciências da Educação

[2] Mestranda em Ciências da Educação

[3] Doutoranda em Ciências da Educação

[4] Doutoranda em Ciências da Educação

[5] Doutora em Ciências da Educação

 

RESUMO

 

O presente artigo tem como tema “A evasão escolar no período de pandemia de COVID-19”.  O período revelou as desigualdades do sistema educacional e mostrou a importância do esforço conjunto entre a instituição escolar, as famílias e o poder público. O estudo se justifica pela necessidade de discutir o problema da evasão, que foi exacerbado pela pandemia, e pela relevância dessa temática. O objetivo geral foi fazer uma análise da evasão escolar durante o período pandêmico de COVID-19. Já os objetivos específicos foram referendar a evasão escolar no período de pandemia; referendar o papel da escola frente aos problemas da evasão no período da Covid-19; compreender a Covid-19 e o reflexo na educação diante de uma fase delicada para todos. A metodologia aplicada tem um caráter de cunho bibliográfico. Autores importantes como Costa e Almeida (2022), Coutinho (2002), Gomes e Martins (2024), Lima e Costa (2023) fizeram parte desta temática.

Palavras-chave: Covid-19, Evasão Escolar. Pandemia.

 

1 INTRODUÇÃO

A pandemia de COVID-19 trouxe uma das maiores discussões na história da educação, trazendo a isto impactos essenciais e duradouros diante da trajetória escolar.

No Brasil, a suspensão das aulas presenciais e o processo de adoção, que partiu de forma urgente e necessária de aulas de modelos remotos, revelaram as desigualdades estruturais que há muito compactuam o sistema educacional, com destaque para a extensão expressiva da evasão escolar.

Analisar esse fenômeno torna-se essencial não apenas para compreender os danos causados por esse período delicado, mas também para identificar fragilidades nas políticas públicas, fortalecer estratégias de permanência e assegurar o direito à educação como pilar essencial para a cidadania e o desenvolvimento social.

O estudo se justifica pela necessidade de discutir o problema da evasão e da pandemia, que geraram dificuldades na discussão sobre essa temática. A experiência deixou como referência a necessidade de políticas inclusivas, trazendo à luz a estrutura digital para todos e atenção à saúde emocional. Esforça-se para evitar que crises futuras afastem pessoas e que estas possam vir a se evadir.

O objetivo geral foi fazer uma análise da evasão escolar durante o período pandêmico de Covid-19. Já os objetivos específicos foram referendar a evasão escolar no período de pandemia; referendar o papel da escola frente aos problemas da evasão no período da Covid-19; compreender a Covid-19 e o reflexo na educação diante de uma fase delicada para todos.

O trabalho da evasão e a Covid-19, sem sombra de dúvida, nos remetem a uma reflexão profunda e complexa. A problematização aplicada foi a seguinte: como a pandemia de COVID-19 influenciou os índices de evasão escolar?

A metodologia aplicada tem um caráter de cunho bibliográfico. Autores importantes como Costa e Almeida (2022), Coutinho (2002), Gomes e Martins (2024), Lima e Costa (2023) fizeram parte desta temática.

 

2 A EVASÃO ESCOLAR NO PERÍODO DE PANDEMIA

A evasão escolar tem sido uma temática que sempre preocupou os professores, gestores e educacionais, e as políticas públicas de uma forma geral. Não há dúvida de que a educação faz parte de um processo de construção do conhecimento. A educação, seja ela de teor formal e informal, tem a sua relevância diante do desenvolvimento do saber, da capacitação do ser humano para o saber ler e escrever, para a extensão de uma consciência crítica e reflexiva.

Infelizmente, o processo de evasão tem sido uma situação que sempre preocupou os profissionais da educação, e principalmente no que diz respeito ao período pandêmico da Covid-19, foi uma situação que trouxe uma forte reflexão para todos os atores da educação.

No período da pandemia, segundo Moura e Pereira (2022), a passada urgente e forçada para o desenvolvimento do ensino remoto durante a pandemia contribuiu para um sério problema de desigualdade ainda mais latente no sistema educacional, assim como para o processo de também ampliação ainda maior de evasão, principalmente no que diz respeito ao aluno vindo de famílias mais carentes. Infelizmente, muitos precisaram ajudar os pais na realização de trabalhos que pudessem contribuir com a renda diante do reflexo da pandemia da Covid-19.

A educação sempre teve as suas barreiras; dificuldades fazem parte do ciclo de construção, de inclusão, de um espaço em que o ato de elaboração do ensino e aprendizado é primo também para que se possa ter o menor índice de evasão, mas que se possa primar pela inclusão.

Os problemas existem, as barreiras fazem parte do mundo da criança, da sua exploração, curiosidade; é, portanto, um trampolim para envolvê-la no querer conhecer.

Para Bof; Basso Santos (2022), o fechamento das instituições escolares, com um certo reflexo nas entidades públicas estaduais e municipais, foi interrompido não só diante do ciclo do ensino-aprendizagem. Mas principalmente frente aos vínculos sociais e de proteção que a escola exerce sobre as crianças e os adolescentes. Isso contribui para o abandono definitivo dos estudos por parte dos jovens.

A instituição escolar faz parte do estudo e pesquisa por parte de todos os atores da educação.  A família tem uma relevância especial quanto a isto, pois é por meio da base da educação que o indivíduo se projeta para o mundo. Para Oliveira e Tonini (2014), a instituição escolar tem sido, ao longo do período histórico, social e cultural, uma instância de multiplicidade de papéis a serem executados e, ao mesmo tempo, fazendo parte de desafios, de busca de equilíbrio às demandas de problemas apresentadas.

Deste modo, pode-se dizer que a pandemia contribui para um sério problema de evasão dos alunos frente aos problemas de desigualdade social e econômica.  Delors (2001) acredita que a educação deve ser constituída como um elemento basilar de oportunidade, de inclusão. Ela deve estar atenta à diversidade, procurar trabalhar as oportunidades, evitando com isto ser uma referência que ainda possa vivenciar a exclusão social. Ela deve, antes de tudo, criar mecanismos de projetos de inclusão.

 

2.1 O papel da escola frente aos problemas da evasão no período da Covid-19.

O ato de ensinar tem sua riqueza; o papel da escola frente aos problemas da evasão no período da Covid-19 foi, sem sombra de dúvida, uma tarefa desafiadora para todos os envolvidos no cenário da educação. Aquele que compartilha com o próximo o ensino, o que aprende naturalmente é eternamente grato àquele que transmitiu o saber, portanto o docente teve o seu papel relevante diante do processo da Covid-19, principalmente frente aos problemas de evasão.

É importante referendar que a transmissão do conhecimento, a didática aplicada, faz parte de uma trajetória de estudo e de desejo vocacionado para ensinar e, naturalmente, construir com o jovem a visão crítica não só diante do conhecimento, como também da vida. Segundo Ramos e Gonçalves Júnior (2024) mesmo diante do problema da evasão escolar, que se constitui diante do fenômeno histórico ao longo do tempo, infelizmente o processo pandêmico trouxe de forma ainda mais latente suas causas, que tiveram que ser ainda mais apreciadas diante de um fato que repercutiu para a sociedade. Se antes se compreendia que a evasão escolar estava associada ao processo de repetência e distanciamento cultural, durante o período de crise sanitária, da vivência da pandemia, passou-se a ter como principais determinantes a ausência ainda mais preocupante de aplicação de novos recursos para trazer à luz a inclusão e dizer não à evasão.

Para Coutinho (2002, p. 33) “A escola de hoje, parte e partícipe da civilização tecnológica, precisa inteirar-se das novas linguagens, imprimindo outras marcas nas tradicionais (e não menos importantes) formas de ensinar”.  O professor sensato e sensível ao seu trabalho de mediador diante do saber também consegue entender e perceber a automação do seu aluno para a construção do seu saber, do conhecimento de mundo, da sua visão de criticidade e ética que gradativamente vai sendo trabalhada.

A pandemia foi um momento desafiador para todos os profissionais da educação, assim como para as autoridades competentes, pois foi preciso, de forma urgente, pensar sobre novas demandas diante do ensino a distância, pois a Covid-19 forçou que todos ficassem em casa e, com isto, mudassem a forma de vivenciar a educação e que os alunos não se evadissem diante desta fase.

Para Lima e Costa (2023), segundo os dados do Censo Escolar, fundamentam que, em 2020, houve uma queda alarmante na redução de matrículas no ensino fundamental, enquanto em 2021 a queda teve um índice ainda maior em todas as etapas da educação básica. Isso só confirma que a pandemia funcionou como um elemento ainda maior diante da evasão que já vinha ocorrendo de forma gradual.

A educação sempre foi e sempre será uma área desafiadora para todos os gestores, professores e a comunidade, de uma forma geral. O ato de se educar a priori leva o ser humano, principalmente no período da Covid-19, a repensar os problemas de evasão. A educação tem a função de fazer com que os alunos se sintam acolhidos e respeitados diante da sua diversidade econômica, que o ciclo da pandemia tenha servido para todos como um momento de reflexão profunda da educação que temos e da construção da escola que precisa urgentemente ser revista frente ao processo de inclusão e de recepção à diversidade.

 

3 A COVID-19 E O REFLEXO NA EDUCAÇÃO DIANTE DE UM PERÍODO DELICADO PARA TODOS

 

Os ciclos educacionais fazem parte dos recursos pedagógicos da educação. A Covid-19 teve um reflexo complexo diante da educação. A sua chegada impôs uma transição célere e até mesmo radical, pois os professores não estavam preparados para esta mudança brusca diante do ensino remoto. Isto só mostrou de forma clara que a educação no nosso país ainda repercute no cenário da desigualdade cultural e social.  (Silva; Souza, 2021).

Educar é uma das tarefas mais delicadas para o ser humano quando este se depara com os cenários da desigualdade econômica, social e antropológica cultural. A pandemia escancarou de forma radical a educação, que precisou ser urgentemente revista e discutida diante do acolhimento das diferenças, evitando assim a exclusão e a evasão.

Educar é transmitir o que se sabe ao que necessita aprender. É trazer a essência do que foi apreendido cognitivamente e lançar, por meio da voz, da fala, o eco do aprendizado, da beleza das letras. A mistura de palavras que juntas traduzem numa simetria ordenada do nosso discurso do que se apresenta, da mais fina e grata realização de ensinar, com amor e prazer pelo que se faz. Costa; Almeida (2022) relatam que, mais do que um processo de mudança de formato de ensino, a pandemia veio quebrar barreiras e, de certo modo, também contribuiu para uma revisão das escolas, do novo despertar sobre a evasão escolar.  A educação escolar, portanto, é caracterizada pelo ensino dos saberes historicamente constituídos, como também pelo estudo e análise social e antropológico-cultural das gerações passadas e presentes, diante das perspectivas de um novo olhar e comportamento das gerações contemporâneas.

Não se pode esquecer que a função da educação, dos educadores escolares, inserida numa realidade social e cultural, é constituída de princípios valorativos diante de cada sociedade. A compreensão deve ser pautada dentro de seus aspectos organizacionais e culturais, face à dinâmica do desejo de transmitir o conhecimento. Como também o prazer frente aos resultados alcançados de alfabetizar e trazer para o educando um novo olhar quanto ao mundo do saber.

Segundo Freire (1996, p. 54), “toda prática educativa demanda a existência de sujeitos, um que, ensinando, aprende; outro que, aprendendo, ensina, daí o seu cunho gnosiológico(…). O problema da evasão sempre trouxe uma grande preocupação para os estabelecimentos escolares, para os professores e para a sociedade. A pandemia, de certo modo, trouxe para a educação um olhar a mais. O aprendizado faz parte do crescimento da vida, da formação do indivíduo em formação. A educação, seu trabalho de inclusão e dizer não à evasão, é uma tarefa desafiadora para todos e, na pandemia, esta questão ficou ainda mais delicada, necessitando de uma análise mais refinada.

O período da pandemia foi delicado para todos e trouxe um alerta e uma revisão dos problemas de evasão nas escolas. Mendes; Rocha (2023) dizem que os reflexos vivenciados nesta fase não ficaram restritos ao desempenho nas escolas e o seu cenário de dificuldades compartilhadas, pois houve impacto direto na saúde dos docentes e discentes. Infelizmente, doenças psicossomáticas foram desencadeadas, ansiedade foi manifestada, depressão, pânico; foi uma fase desafiadora para todos. A educação digital foi, de certo modo, desafiadora para muitos professores.

A COVID-19 deixou para a sociedade, de uma forma geral, marcas no cenário da educação. Por outro lado, mostrou também o poder de recomeçar de cada profissional, de compreender que, mesmo diante de diversas situações de precariedade, a falta de recursos materiais sempre é possível fazer algo pela educação. Com isto, é possível evitar o aumento ainda maior de evasão. Segundo Gomes e Martins (2024), se, por um lado, a crise sanitária de certo modo contribuiu para o processo de aceleração do uso de tecnologias aplicadas na educação, por outro lado deixou de forma clara que nenhuma ferramenta substitui a presença. Portanto, a troca e o acompanhamento humano são essenciais. Além disso, o ensino só se efetiva de forma equilibrada e alinhada quando todos têm condições iguais.

O período delicado vivenciado por todos trouxe para a sociedade, de uma forma geral, para os gestores, professores de escola pública e privada, um alerta diante desta situação.  Portanto, a educação não pode ser aplicada e nem muito menos aplicada como secundária, pois ela é o pilar essencial para os desafios da coletividade. Pode-se dizer, portanto, que hoje o grande desafio é reconstruir, recomeçando e recapitulando o que foi vivenciado e o que precisa ser trabalhado.  Faz-se necessária a recriação de um ambiente escolar inclusivo, acolhedor e que diga não a toda e qualquer prática de evasão.

 

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A pandemia de COVID-19 teve para a sociedade uma das representações da história mais complexas diante do cenário da construção da educação e seus desafios, e isso trouxe uma certa incerteza, insegurança e, ao mesmo tempo, um marco reflexivo diante do papel dos professores frente aos problemas de evasão dos alunos antes e no período pandêmico. Com a pausa das aulas presenciais, os professores, os alunos, diretores e coordenadores tiveram que se readaptar aos novos desafios da educação e ao zelo pela nova forma de trabalhar o saber, à resiliência a ser desafiada por todos, ao papel dos gestores e professores na luta pela inclusão e contra todas as formas de evasão.

Nesse cenário, as instituições escolares precisaram se readaptar de forma célere ao novo cenário da educação, a uma nova forma de transmissão do conhecimento, de realizar um trabalho educacional atrativo para os alunos e trabalhar para que o índice de evasão não se estendesse mais, mas que se pudesse dar continuidade ao conhecimento dos alunos. Foram necessárias novas formas de trabalho, desde a distribuição de materiais impressos e aplicação de novos equipamentos para quem não tinha acesso à internet e precisava acompanhar os conteúdos.

Ainda que muitas instituições escolares tenham vivenciado os desafios e persistido sobre algumas perdas, e que estas não tenham sido possíveis de serem evitadas, esse período apresentou que o esforço conjunto de educadores, gestores e famílias foi fundamental para amenizar os danos. A experiência deixou como aprendizado que a prevenção da evasão depende diretamente de uma ação contínua, atenta aos ciclos de desigualdades e às necessidades de cada discente, reafirmando que a escola é um espaço importante de apoio, de busca pelo desejo de acolher e do direito que deve ser preservado mesmo nas situações mais adversas.

 

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, P. N. de Educação lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo, SP: Loyola, 2008.

BOF, A. P.; BASSO, M. A.; SANTOS, R. C. A suspensão das aulas presenciais e seus reflexos na evasão escolar no Brasil. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 103, n. 263, p. 239–256, 2022.

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COUTINHO, Laura Maria. Aprendizagem, tecnologia e educação a distância. Módulo I, v. 3. Eixo Integrador: Realidade Brasileira. Brasília: UnB, 2002.

DELORS, J.; Educação: Um tesouro a descobrir. 6 ed., São Paulo: Cortez: Brasília, DF: MEC: UNESCO, 2001.

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LIMA, M. S.; COSTA, R. F. Evasão e desigualdades educacionais no período pandêmico. Revista TOMO, v. 42, n. 1, p. 37–58, 2023.

MENDES, C. S.; ROCHA, D. M. Saúde mental e educação: impactos da pandemia na comunidade escolar. Cadernos de Psicologia da Educação, v. 22, n. 1, p. 47–64, 2023.

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OLIVEIRA, Breynner R.  & TONINI , Adriana M. Gestão Escolar e Formação Continuada de Professores – Editar, Juiz de Fora – 2014

RAMOS, A. C.; GONÇALVES JÚNIOR, L. Abandono e evasão escolar: emergência da busca ativa como política pública pós-pandemia. Revista Educação em Análise, v. 29, n. 2, p. 65–82, 2024.

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