EDUCAR PARA INCLUIR: OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA E O PAPEL DO DOCENTE NO ACOLHIMENTO DA DIVERSIDADE

EDUCATING FOR INCLUSION: THE CHALLENGES OF INCLUSIVE EDUCATION AND THE TEACHER’S ROLE IN ENCOURAGING DIVERSITY

Ana Maria Rodrigues de Sousa Lôbo  [1]

Gabriela Rodrigues Coutinho [2]

Sarah Cristina Cidrão Uchoa [3]

[1] Doutoranda em Ciências da Educação pela World University Ecumenical
[2] Graduanda em Ciências Biológicas pela Multivix
[3] Doutoranda em Ciências da Educação pela World University Ecumenical

RESUMO:

A inclusão escolar é um tema de extrema relevância social e educacional, fundamentado no respeito à diversidade, na dignidade humana e no direito inalienável de todos a uma educação de qualidade. O foco principal desse debate é a urgência de acolher e integrar crianças com deficiências e transtornos, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA), no ambiente escolar regular. Nesse contexto, o objetivo central dessa discussão é trazer à luz a importância de se trabalhar a inclusão na educação, evidenciando seus principais desafios. Para isso, é essencial capacitar e preparar os docentes para que possam respeitar e valorizar a diversidade vivenciada no dia a dia da sala de aula. A justificativa para esse esforço baseia-se na necessidade contínua de incluir e acolher as diferenças. Embora seja uma tarefa desafiadora, ela é profundamente enriquecedora para todos os envolvidos: professores, alunos, famílias e instituições de ensino. Fica claro que apenas por meio do trabalho coletivo e colaborativo entre todos esses agentes a inclusão poderá se efetivar de maneira plena. Do ponto de vista teórico, Mantoan (2005) destaca que incluir faz parte de um despertar de sensibilidade por parte do professor. Apesar dos avanços observados nas últimas décadas em relação à identificação e ao diagnóstico de condições como o autismo, a realidade ainda impõe barreiras. Como apontam Silva e Mulick (2009), muitas crianças no Brasil ainda permanecem por longos períodos sem diagnóstico ou recebem diagnósticos inadequados. Esse cenário evidencia que, para alcançarmos resultados concretos, é imperativo um maior investimento em políticas públicas, na formação docente contínua e em campanhas de conscientização. Além disso, as escolas precisam desenvolver Projetos Político-Pedagógicos (PPP) genuinamente voltados à diversidade, garantindo assim um atendimento verdadeiramente inclusivo, respeitoso e eficaz para todos os alunos.

 

INTRODUÇÃO

Educar e ensinar precisam estar em harmonia diante do desenvolvimento da criança, os pais educam os seus filhos, a escola tem o papel de ensinar, de transmitir o conhecimento. A educação faz parte do processo de formação da criança em desenvolvimento, ela. Por outro lado, pode-se afirmar que é uma tarefa complexa que requer por parte dos educadores não só a capacitação e formação específica nesta área, mas antes de tudo a   sensibilidade para saber trabalhar e estimular as crianças diante do saber, da diversidade vivenciada em sala de aula, do incluir, do acolher.

A inclusão faz parte de um trabalho desafiador no cenário da educação, os profissionais da docência, pedagogos, psicólogos organizacionais todos fazem parte desta jornada diante do ensino, do acolhimento, do amor pelo que se realiza e do ato de estar preparado para o acolhimento, para a diversidade vivenciada em sala de aula. Por outro lado, é importante fundamentar que para que este trabalho possa fazer parte de desenvolvimento eficaz faz-se necessário que as instituições escolares possam estar prontas para esta temática de inclusão, de amor e de resultados eficazes neste universo da escola.

A justificativa aplicada sobre esta questão a inclusão e desafios na educação pela importância da incluir e acolher as diferenças, faz parte de uma tarefa desafiadora e ao mesmo tempo de aprendizado para todos os envolvidos.  Somente quem trabalha no universo da sala de aula reconhece a importância das diferenças que lhes são apresentadas, dos potenciais a serem estimulados, do trabalho em parceria entre professores, pais e a instituição de ensino.

O objeto é trazer a luz do debate a importância de se trabalhar a inclusão e os principais desafios na educação. É capacitar os docentes e prepará-los para a o respeito a importância da diversidade, para as diferenças vivenciados no universo escolar. O professor é o profissional que tem o papel de mediar, do despertar dos alunos, da capacidade de que estes possam desenvolver ainda mais, de que todos são capazes, que podem ser estimulados diante do desejo natural de aprender e da construção saber.

A metodologia aplicada faz parte de um processo de construção do conhecimento, a bibliografia faz parte do elemento norteador das ideias, conceitos e princípios aplicados diante da inclusão na educação, portanto, a método aplicado faz parte de um teor de cunho bibliográfico, onde a citação de autores trará um brilho ainda mais eficaz diante do tema gerador.

 

2 EDUCAÇÃO E OS DESAFIOS PARA INCLUSÃO

 

A instituição escolar tem um papel importante diante do crescimento dos seus alunos, ela trabalha com a diversidade, com habilidades e competências. O professor tem um papel especial de realizar um trabalho não só na condição de mediador do conheci mento, daquele que transmite o saber, mas que estar aberto ao que os alunos estão aprendendo, ao que eles trazem, o que pode vir a ser estimulado por todos os participantes.

Apesar de ter havido enormes avanços nessas últimas décadas em relação à identificação precoce e ao diagnóstico de autismo, muitas crianças, especialmente no Brasil, ainda continuam por muitos anos sem um diagnóstico ou com diagnósticos inadequados. (Silva; Mulick, 2009, p. 118).

A educação está sempre se renovando e para que se possa realizar um trabalho diferenciado no ambiente escolar é importante capacitar os seus docentes, é importante que os professores possam estar prontos para trabalhar com as diferenças, para acolher os alunos que necessitam de um atendimento diferenciado e ao mesmo tempo valorado, inclusivo e que sua dignidade seja preservada.

Para Osório (1996, p. 24):

A família é uma instituição cujas origens remontam aos ancestrais da espécie humana e    confundem-se com a própria trajetória da evolução. – A organização familiar não é exclusiva do homem, vamos encontrá-las em outras espécies animais quer entre os vertebrados, como também, entre os invertebrados. – Assim como na espécie humana, também entre os animais se encontram distintas formas de organização familiar. Há famílias nas quais após o acasalamento a prole fica aos cuidados de um só dos genitores, geralmente a fêmea; mas também poderá ser o macho quem se encarrega dos cuidados com os descendentes, como em certas espécies de peixe.

 

A família tem o seu papel diante do trabalho da inclusão, do acolhimento das crianças no ambiente escolar, do cuidar da criança com autismo, com transtorno e que precisa de um cuidado especial. Fundamenta Mantoan (2005) que incluir faz parte de um despertar da  sensibilidade por parte do professor  e da capacidade direta de compreender o próximo, do aproximar o aluno das outras crianças, ou seja,   de uma educação inclusiva que acolhe e que respeita as diferenças. Essa escola, portanto, trabalha a inclusão, prima pelo respeito, da dignidade dos seus alunos. Por outro lado, é importante que os pais também possam se preparar no que diz respeito ao acompanhamento dos seus filhos.

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, em seu Art.  3º, inciso IV no que diz respeito a inclusão no ambiente escolar fundamenta que a educação é um:

(…) bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação como também o artigo 205 e 206, inciso I, que traz a excelência do bem de todos e naturalmente assegura a igualdade no que diz respeito ao acesso em escolas, a igualdade diante das diferenças.

É importante pontuar que a relação integrativa dos alunos com deficiência nas escolas regulares tem sido tema dos anais da educação, nos espaços acadêmicos, das políticas públicas aplicadas e de outros órgãos voltados a educação. Por outro lado, faz-se necessário referendar que a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), Lei nº 13.146/2015, se configura como uma lei que prima pelo processo de inclusão das pessoas com deficiência e esta temática tem sido cada vez mais discutida por todos.

Segundo Carvalho (2004, p. 36), a instituição escolar inclusiva “[…] implica, incondicionalmente, na mudança de atitudes frente às diferenças individuais, desenvolvendo-se a consciência de que somos todos diferentes uns dos outros e de nós mesmos, porque evoluímos e nos modificamos”. O ser humano é este que se manifesta e se molda, se estrutura e se projeta de forma especial diante da sua formação e construção da sua consciencia, ao mesmo tempo ele precisa de apoio, de cuidado e de zelo.

O  Transtorno do Espectro Autista – TEA – faz parte de uma condição especial do neurodesenvolvimento , “[…] é definido como um distúrbio do desenvolvimento neurológico que deve estar presente desde a infância, apresentando déficit nas dimensões sociocomunicativa e comportamental” (Schmidt, 2013, p. 13) portanto, compromete caracteres de desenvolvimento da criança como a sua condição do afeto,  da socialização e integração  com o mundo ao seu redor, com a exploração das coisas que lhes são próximas.  Muitas destas crianças se não forem estimuladas em parceria com outros profissionais de forma precoce tendem a ter sérios problemas na comunição, na interação e algumas podem vir a desenvolver um comportamento agressivo, tornando-se muitas vezes antissociais.

Os desafios vivenciados diante do trabalho de inclusão são complexos, fazem parte do processo de construção, portanto, aspectos de teor cultural, de valores, de princípios vivenciados pela sociedade de uma forma geral assim como da formação e base da educação dos pais contribui para uma série de desafios a serem discutidos e trabalho. A sociedade também precisa despertar quanto a esta questão. É relevante também a realização de campanhas, de projetos políticos pedagógicos (PPP) voltados a esta questão e principalmente no que diz respeito a aplicação de leis que ser cada vez mais contributiva. a um trabalho ainda mais eficaz de respeito às diferenças.

2.1 O papel do professor e os desafios da educação inclusiva

O professor que ama o que faz, que gosta de estar em sala de aula compartilhando o saber com os seus alunos reconhece que sempre tem algo novo a ser trabalhado em sala de aula, ele é um sabedor que o ambiente escolar faz parte do desafio para todo professor que se propõe a ensinar e trabalha com as diferenças, ele sabe da importância da inclusão e da aplicação da mediação do saber.

Ensinar para a inclusão social, utilizando os instrumentos pedagógicos da escola e inserindo também a família, é fortalecê-la como núcleo básico das ações inclusivas e de cidadania. Para a escola realizar uma educação adequada, deverá, ao incluir o educando no meio escolar, incluir também a sua família nos espaços de atenção e atuação psicopedagógica. (Cunha 2012, p.90).

Os docentes devem antes de tudo trabalhar com estratégias contra todas as formas de preconceitos, eles devem realizar campanhas na escola sobre a importância da inclusão, assim como realizar trabalhos, gincanas no universo escolar que possa antes de tudo despertar nos alunos o desejo de aprender, do respeito a diversidade, de entender que o trabalho em equipe contribui para o despertar da consciência.

Ao falar de uma relação professor aluno não estamos apenas questionando sobre o comportamento do aluno e do professor dentro do ambiente escolar, mas também no professor e no seu trabalho como agente mediador da aprendizagem, com a sua prática pedagógica organizando e planejando sua aula, e no aluno participativo e interativo neste processo, onde também o professor tem o dever de buscar condições necessárias para esta dinâmica na aula, criando possibilidades, interagindo, fortalecendo os conhecimentos adquiridos, reavaliando conceitos não adquiridos (Santos; Brito; Maranhão, 2014, p. 08).

O professor tem  a consciência que precisa mudar a sua forma de trabalho em sala de aula, ele sabe que o ambiente escola trabalha hoje com a diversidade, com a recepção diversa de alunos, por outro lado, o trato de relação entre alunos e professores mudou . O professor sabe que o discente hoje pesquisa, que busca o conhecimento, que tem o desejo de aprender. Portanto, o saber se dá de forma especial onde todos são importantes diante do processo de inclusão e constituição do conhecimento.

Discutir e trazer fundamentos sobre a inclusão é compreender que não basta apenas matricular, faz-se necessário que ela seja antes de tudo acompanhada, que as escolas possam trabalhar com projetos de inclusão, de capacitação, da aplicação do lúdico, do brincar, onde a criança tem condições de despertar para um desenvolvimento mais eficaz diante do saber.

[…] o jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentido de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da “vida cotidiana” (Huizinga, 2000, p. 33)

Os professores podem vir a desenvolver diversas táticas no que diz respeito a inclusão das crianças. Eles reconhecem que a aplicação do lúdico, do desenvolvimento da educação e da cognição da criança fazem parte do processo de construção das suas potencialidades, das emoções. É um momento em que a criança socializa, cria lações de afeto e de oportunidades. Os jogos e as brincadeiras possuem um valor que lhe é próprio, eles podem ser excelente base de fortalecimento da educação da criança, do ato de incluir. Portanto, cabe ao professor estar atento a esta fase, cabe a ele acompanhar de perto os seus alunos, observar e estimular.

Pontua Antunes (2003, p.60) afirma que “o jogo é o mais eficiente meio estimulador das inteligências, permitindo que o indivíduo realize tudo que deseja”. A realização do trabalho da atividade lúdica diante da seara psicopedagógica pontua o desenvolvimento do educando, o professor tem um papel especial diante desta fase, é através do divertimento, do brincar e da aplicação das diversidades dos jogos que o docente tem condições de realizar um trabalho relevante no que diz respeito ao ensino e aprendizado.

O que se pretende na educação inclusiva é remover barreiras, sejam elas extrínsecas ou intrínsecas aos alunos, buscando-se todas as formas de acessibilidade e de apoio de modo a assegurar (o que a lei faz) e, principalmente garantir (o que deve constar dos projetos político pedagógicos dos sistemas de ensino e das escolas e que deve ser executado), tomando-se as providências para efetivar ações para o acesso, ingresso e permanência bem sucedida na escola (Carvalho, 2005, p.72)

A realidade educacional brasileira precisa rever e trabalhar cada vez mais no que diz respeito a responsabilidade social, aos trabalhos voltados a inclusão, a capacitação de professores, de coordenadores, de projetos voltados a uma escola mais dinâmica e participativa, a uma série de elementos importantes que possam favorecer ao bem estar da família ao saber que os seus filhos podem ser participes da escola regular, que eles são incluídos. A educação faz parte deste processo cíclico de mudanças, de inovação, ela sempre será este cenário onde os preceitos históricos e sociais farão parte do seu desenvolvimento, do desejo do ser humano evoluir e crescer como pessoa, onde a inclusão faz parte de um processo de construção.

 

3 A IMPORTÂNCIA DA INCLUSÃO E DO TRABALHO DE HUMANIZAÇÃO

Incluir é humanizar, faz parte do despertar da consciência do profissional da educação assim como do cidadão comum pois o trabalho de inclusão diz respeito ao acolhimento, ao respeito às diferenças, assim como da construção de valores, de princípios e regras estabelecidas.

A instituição que se preocupa com os seus professores, pais, gestores e políticas públicas implantadas no que diz respeito ao trabalho da inclusão e do acolhimento é uma escola que prima pelo amor ao próximo, faz parte de um processo de construção do saber, do trabalho de humanização do ser humano em formação.

Segundo Cunha (2014 p. 90): “O bom preparo profissional possibilita ao educador a isenção necessária para avaliar a conduta do aluno e da família no auxílio da recondução das intervenções, quando elas não alcançam os resultados esperados no ambiente familiar ou na escola”. O profissional capacitado para trabalhar com a criança frente aos desafios e sua diversidade contribui de forma expressiva diante do projeto de inclusão deste discente em desenvolvimento.

A inclusão constitui uma tarefa desafiadora, pois não depende apenas da atuação de professores, coordenadores e demais integrantes do corpo gestor da escola. Portanto, docentes e dirigentes escolares realizam juntos o trabalho de apoio as crianças e aos seus familiares quando a temática diz respeito a inclusão, ao respeito para com as diferenças.

As escolas com propostas inclusivas devem reconhecer e responder às diversas dificuldades de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, modificações organizações, estratégias de ensino, recursos e parcerias com as comunidades. A inclusão exige da escola novos posicionamentos que implicam num esforço de atualização e reestruturação das condições atuais, para que o ensino se modernize e para que os professores se aperfeiçoem, adequando as ações pedagógicas à diversidade dos aprendizes (Veltrone; Mendes, 2007, p. 2).

 

O ato de aprender diz respeito a um processo complexo de construção do conhecimento e requer antes de tudo que os profissionais da educação estejam atentos aos desafios da educação, as vivencias do dia a dia na sala de aula e que as diferenças possam de alguma forma serem sanadas.  O profissional da educação precisa estar de certo modo preparado para trabalhar com as diferenças vivenciadas no cenário da educação. Educar diz respeito aos preceitos de construção do conhecimento, do saber vivenciado e compartilhado por todos, da preparação por parte dos educadores e das mudanças realizadas. Educação é uma tarefa desafiadora principalmente quando diz respeito a inclusão.

Tenório; Brito; Lopes (2010, p 50) afirmam que:

A educação tem um papel importante na explicitação do tácito e, por outro lado, as coisas que são explícitas, que estão nos manuais, nos livros, na internet, nas obras da literatura, tudo aquilo que está registrado, formalizado, é explícito. O trabalho educativo também tem uma importância grande ao orientar pessoas para se apropriarem desse conhecimento explicitado no passado pelas outras gerações. É o trabalho pedagógico que faz isso, é a educação que permite explicitar o tácito, formalizando o conhecimento na organização para as novas gerações, e incorporando-o no nosso ser, de uma maneira rápida, sólida, permanente.

 

Por outro lado, faz-se necessário referendar a importância de que todos possam vir a compreender o princípio valorativo do acolhimento de cada cidadão em particular, principalmente daqueles que mais necessitem de um atendimento diferenciado. O atendimento e as ações voltadas às crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) deve seguir essa mesma métrica de apoio e acolhimento.

Esse processo se torna real quando existe um trabalho de teor integrativo, de união e de esforços compartilhado entre todos os profissionais da educação. A escola precisa rever a sua forma de atuação, pois tratar da inclusão é fazer valer o que diz a lei, é onde a escola passa estar desperta em capacitar dos seus professores, gestores educacionais, coordenadores e todos os demais profissionais. O ato de incluir é uma ação amorosa e ao mesmo tempo humanista pois prima pela dignidade do ser humano em formação.

 Para incluir todas as pessoas, a sociedade deve ser modificada a partir do entendimento de que ela é que precisa ser capaz de atender às necessidades de seus membros. O desenvolvimento, por meio da educação, reabilitação, qualificação do profissional tec., das pessoas com deficiência deve ocorrer dentro do processo de inclusão e não como um pré-requisito para estas pessoas poderem fazer parte da sociedade (Sassaki, 2010, p. 40).

 

No caso das crianças com TEA, essa compreensão torna-se ainda mais necessária e eficaz para todos os integrantes da educação pois estes precisam rever a sua forma de ensinar e de transmitir o conhecimento, estas precisam necessitam de um acompanhamento diferenciado e que não só possa vir a desenvolver o seu saber como também possam vir a se sentirem partícipes, humanizadas e respeitadas diante das suas diferenças. É preciso, portanto, que a instituição escolar reveja o seu currículo, a forma como ela conduz o saber e se a mesma tem trabalhado a inclusão e o acolhimento sobre a diversidade.

 

(…) a educação inclusiva não ocorre por decreto ou modismo, pois é um longo processo. Deve-se levar em conta as diversidades de cada aluno, é preciso criar diferentes formas de mecanismos, que facilitem a interação social, educacional e emocional com seus colegas e professores. A inclusão escolar vai muito além dos espaços físicos da escola e deve valorizar as diversas culturas encontradas em cada aluno. A escola deve se responsabilizar em criar um espaço para a efetiva inclusão (Toledo e Wendi, 2021, p. 53).

A Educação Inclusiva é uma tarefa que desafia a todos os profissionais da educação. A escola reconhece as suas limitações e por outro lado é ciente de que ela procura dar o seu melhor mais ainda existe muito por fazer, principal mente no que diz respeito ao apoio por parte das instituições regulamentadoras da educação e seus ordenamentos. Essa abordagem visa trazer a garantia de que todos os discentes independentemente de suas diferenças, tenham acesso a um ambiente educacional que possa envolver a todos, que possa ser promissor e colaborativo.

A educação inclusiva faz parte de um direito de toda criança em desenvolvimento, o Estado tem o dever de quebrar todas as formas de preconceito e criar projetos de inclusão não permitindo que as escolas tenham teor de práticas exclusivas, pelo contrário, os professores são preparados e capacitados para incluir, para trabalhar uma educação de qualidade.

Sánchez (2005, p. 10) fundamenta que:

(…) a educação inclusiva deve ser entendida como uma tentativa a mais de atender as dificuldades de aprendizagem de qualquer aluno no sistema educacional e como um meio de assegurar que os alunos, que apresentam alguma deficiência, tenham os mesmos direitos que os outros, ou seja, os mesmos direitos dos seus colegas escolarizados em uma escola regular.

A prática pedagógica humanizada trabalha diretamente com a busca do equilíbrio onde a razão e a emoção precisam estar juntas, em harmonia. (Mantoan, 2015). A humanização na educação é fruto de um trabalho em equipe, onde pais, educadores e a comunidade de uma forma geral tem a sua parcela de contribuição.

Quando a escola procura capacitar os seus professores, quando ela procura fazer um trabalho em parceria com os seus alunos em especial no que diz respeito às diferenças vivenciadas ele tem condições de incluir de forma especial, de estimular os alunos a terem automação, a tirarem boas notas, e crescer enquanto pessoas.  A inclusão tem como foco principal adaptar o espaço das escolas regulares para receber o aluno que apresenta certo comprometimento intelectual e social que precisa de um olha a mais por parte dos professores.

É importante que se busque estratégias para amenizar o preconceito e que se possa com isto trabalhar o despertar da consciência, de que a educação está além da capacitação do aluno diante do resultado de notas ou seja, ela tem o papel de instigar    de forma positiva a socialização da criança, expandindo a sua inteligência e criatividade.

Moran (2000, p. 31) afirma que:

O professor é um pesquisador em serviço. Aprende com a prática e a pesquisa e ensina a partir do que aprende. Realiza-se aprendendo pesquisando-ensinando-aprendendo. O seu papel é fundamentalmente o de um orientador/mediador. […] professor atua como orientador comunicacional e tecnológico; ajuda a desenvolver todas as formas de expressão, de interação, de sinergia, de troca de linguagens, conteúdos e tecnologias.

A educação e o papel do professor diante desta jornada contribuem para a postura da criança diante do mundo, para o processo de humanização.  O professor tem um papel especial de ser o mediador desta postura do aluno diante do mundo. Se observa com isto que ele não está limitado a alfabetização das crianças, mas a construção   de estímulos das crianças diante do pensar crítico.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A educação faz parte do grande marco da história da humanidade, do seu ciclo de alfabetização e de construção do saber, do ensino e aprendizado, do trabalho com as diferenças, do despertar da consciência, do desenvolvimento crítico e reflexivo. A    inclusão escolar representa um dos maiores desafios da educação. Os professores, gestores educacionais, orientadores, supervisores, capacitadores fazem parte deste trânsito do saber, do desejo de transmitir o que sabem para aquele que tema a ânsia do conhecimento, que querem sair da ignorância.

Os professores assumem um papel relevante diante deste trâmite da educação pois são eles que, através da sua prática, da sua paciência e da sua capacitação, constroem as pontes para o despertar da consciência, do trabalho de alfabetização, do despertar diante das primeiras letras. O professor que prima pela inclusão reconhece que é preciso fazer, investir, trabalhar para que todos possam estar juntos. Ele sabe que a educação faz parte de um processo contínuo e inacabado.

Cabe a esses profissionais não somente ensinar conteúdos , mas sobretudo, saber acolher o próximo que precisa de uma recepção diferenciada, que necessita de um cuidado, de um zelo, de  respeito ao próximo e com isto possa vir a  adaptar o ensino às necessidades específicas de cada discentes, garantindo que todos possam ser acolhidos, que todos possam ter acesso ao saber.

A escola sozinha não consegue sustentar todo esse processo. É vital ressaltar a importância imprescindível da família como pilar de apoio. O trabalho conjunto entre escola e lar cria uma rede de segurança e sustentabilidade emocional que é fundamental para o desenvolvimento da criança. Seja no caso do Transtorno do Espectro Autista (TEA), seja em qualquer outra condição ou transtorno psicológico, o suporte familiar é o alicerce que dá segurança para que o educando se sinta amado, capaz e pertencente ao ambiente escolar.

Portanto, incluir é um ato de amorosidade, de cuidado, de zelo, de cidadania, de fazer valer o que diz a lei, é primar pela dignidade do ser humano. É, por outro lado, refletir e despertar para a consciencia de que as diferenças não são obstáculos, mas sim características que tornam a convivência humanizada. Uma escola que trabalha com a inclusão é aquela que sabe receber a todos, acolhendo suas singularidades e garantindo que cada criança, independentemente de suas condições, tenha o direito de aprender, ser feliz e se desenvolver de forma gratificante.

 

REFERÊNCIAS

 

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