PLAY AS AN EXPRESSION OF AFFECTIVITY IN EARLY CHILDHOOD EDUCATION
AUTOR: Aline de Sousa Viana¹
¹Mestra em Ciências da Educação, pela Absoulut Christian University – ACU. Email:
professoralineviana@gmail.com
RESUMO
A Educação Infantil representa um espaço privilegiado para o desenvolvimento integral da criança,
abrangendo dimensões cognitivas, sociais, motoras e, especialmente, afetivas. Nesse contexto, o
brincar assume papel central, não apenas como atividade lúdica, mas como forma de expressão,
comunicação e aprendizagem. Este artigo tem como objetivo analisar o brincar como manifestação
da afetividade na Educação Infantil, discutindo seus fundamentos teóricos e implicações
pedagógicas. Trata-se de uma pesquisa teórica e bibliográfica, fundamentada em autores clássicos
e contemporâneos, como Wallon, Vygotsky, Winnicott, Kishimoto e Horn. Os resultados indicam
que o brincar constitui-se como linguagem simbólica, espaço de expressão emocional e meio de
construção de vínculos, sendo um instrumento essencial para a aprendizagem e o desenvolvimento
integral. A afetividade, presente nas relações entre criança, educador e ambiente escolar, configurase
como eixo estruturante da prática pedagógica, promovendo a formação de sujeitos autônomos,
criativos e socialmente integrados.
Palavras-chave: Brincar. Afetividade. Educação Infantil. Desenvolvimento integral.
ABSTRACT
Early childhood education represents a privileged space for the comprehensive development of
children, encompassing cognitive, social, motor, and especially affective dimensions. In this
context, play assumes a central role, not only as a recreational activity but also as a form of
expression, communication, and learning. This article aims to analyze play as a manifestation of
affectivity in early childhood education, discussing its theoretical foundations and pedagogical
implications. It is a theoretical and bibliographic study, based on classical and contemporary
authors such as Wallon, Vygotsky, Winnicott, Kishimoto, and Horn. The results indicate that play
constitutes a symbolic language, a space for emotional expression, and a means of building bonds,
serving as an essential instrument for learning and comprehensive development. Affectivity,
present in the relationships between children, educators, and the school environment, is structured
as a central axis of pedagogical practice, promoting the formation of autonomous, creative, and
socially integrated individuals.
Keywords: Play. Affectivity. Early Childhood Education. Comprehensive Development.
Introdução
A Educação Infantil é o espaço privilegiado para o desenvolvimento integral da criança,
abrangendo as dimensões cognitiva, social, motora e afetiva. Nesse contexto, o brincar assume
papel fundamental, não apenas como uma atividade lúdica, mas como uma forma de expressão,
comunicação e aprendizagem. Por meio do brincar, a criança elabora suas emoções, constrói
vínculos e experimenta o mundo que a cerca, o que reforça a relação intrínseca entre o brincar e a
afetividade. A brincadeira é, portanto, um instrumento de mediação entre o mundo interno e o
externo, permitindo à criança vivenciar sentimentos, papéis sociais e experiências que contribuem
para a formação de sua identidade.
A afetividade, por sua vez, é um dos pilares do desenvolvimento humano e se manifesta
nas relações que a criança estabelece com o outro e com o meio. Segundo Wallon (2007), as
emoções constituem o primeiro modo de comunicação da criança e têm papel determinante na
constituição da personalidade e na formação do sujeito social. O autor compreende que o
desenvolvimento infantil ocorre por meio da integração entre a afetividade, o movimento e a
inteligência, demonstrando que as emoções não podem ser dissociadas do processo de
aprendizagem. Assim, compreender o brincar como expressão da afetividade significa reconhecer
o valor das experiências emocionais no processo educativo e no desenvolvimento integral da
criança.
O brincar também representa um espaço privilegiado para a manifestação da afetividade no
ambiente escolar. Nele, as crianças expressam alegria, frustração, solidariedade, empatia e outras
emoções que são fundamentais para o convívio social e para a construção de vínculos. Para
Vygotsky (1998), o brincar é uma atividade social e simbólica que possibilita o desenvolvimento
das funções psicológicas superiores e a internalização de valores culturais. Ao brincar com outras
crianças e com os adultos, a criança aprende a respeitar regras, compartilhar experiências e
compreender o ponto de vista do outro, desenvolvendo competências socioemocionais essenciais.
Na perspectiva de Winnicott (1975), o brincar é uma atividade criadora que permite à
criança existir de maneira autêntica e espontânea. É no ato de brincar que ela encontra um “espaço
potencial” — um território intermediário entre a realidade interna e a externa — onde pode elaborar
sentimentos e experimentar o prazer da descoberta. Esse espaço é sustentado por relações afetivas
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professoralineviana@gmail.com
seguras, nas quais o educador tem papel de mediador e acolhedor, garantindo à criança a confiança
necessária para explorar e expressar-se livremente.
Diante disso, o papel do educador na Educação Infantil transcende a transmissão de
conteúdos. Cabe a ele criar um ambiente afetivo e acolhedor, onde o brincar seja valorizado como
instrumento de aprendizagem e de expressão emocional. A prática pedagógica, quando pautada no
afeto, favorece a formação de sujeitos críticos, criativos e emocionalmente saudáveis. Nessa
perspectiva, o afeto não é um adorno, mas um elemento estruturante da ação educativa.
Este artigo tem como objetivo analisar o papel do brincar como manifestação da afetividade
na Educação Infantil, discutindo seus fundamentos teóricos e suas implicações pedagógicas. Tratase
de uma pesquisa teórica e bibliográfica, fundamentada em autores clássicos e contemporâneos
que refletem sobre a infância, o brincar e a afetividade, como Wallon, Vygotsky, Winnicott,
Kishimoto e Horn. A discussão pretende contribuir para a compreensão de que o brincar, mediado
pelo afeto, é uma dimensão essencial do desenvolvimento infantil e deve ser reconhecido como
eixo central da prática educativa.
1. A afetividade e o desenvolvimento infantil
A afetividade é uma dimensão essencial da constituição humana e está presente em todas
as formas de aprendizagem e interação. Desde os primeiros anos de vida, as relações afetivas
estabelecidas entre a criança e os adultos de referência são determinantes para o desenvolvimento
de sua personalidade e de sua maneira de estar no mundo. A afetividade envolve tanto as emoções
e sentimentos quanto as motivações e atitudes que direcionam o comportamento humano. Assim,
é impossível compreender o desenvolvimento infantil sem reconhecer o papel central que o afeto
desempenha na construção de vínculos e na formação do sujeito social.
Para Henri Wallon (2007), a afetividade é indissociável da inteligência. O autor propõe uma
visão integral do desenvolvimento, em que emoção, cognição e movimento estão interligados. Em
seus estudos, Wallon destaca que as emoções são as primeiras formas de comunicação da criança
com o meio e exercem papel decisivo na constituição da consciência. É por meio das expressões
afetivas — choro, sorriso, gestos e olhares — que o bebê estabelece contato com o outro e inicia
seu processo de socialização. A afetividade, portanto, não é apenas uma reação emocional, mas um
modo de interação e construção de significados.
A partir dessa concepção, Wallon (2007) compreende que o desenvolvimento infantil
ocorre por meio da alternância e integração entre os domínios afetivo, motor e cognitivo. Quando
a criança vivencia emoções positivas, sente-se segura para explorar o ambiente, experimentar e
aprender. Por outro lado, situações de rejeição, medo ou indiferença podem inibir sua curiosidade
e limitar suas possibilidades de crescimento. Assim, o educador que acolhe e reconhece as emoções
da criança contribui diretamente para seu desenvolvimento global.
Vygotsky (1998) também destaca a importância das interações afetivas no processo de
aprendizagem, enfatizando que o desenvolvimento humano é mediado social e culturalmente. Para
o autor, o pensamento e a emoção estão profundamente entrelaçados; não há aprendizagem
significativa sem envolvimento afetivo. É nas relações interpessoais que a criança internaliza
valores, afetos e significados culturais, transformando-os em parte de sua estrutura psíquica. Nesse
sentido, o professor tem papel fundamental como mediador, pois cria situações de aprendizagem
que mobilizam tanto a dimensão cognitiva quanto a emocional do aluno.
No ambiente escolar, o afeto é o que dá sentido à mediação pedagógica. Quando o professor
estabelece uma relação empática e respeitosa com as crianças, favorece a criação de um clima de
confiança e pertencimento, essencial para que elas se sintam motivadas a aprender. As interações
afetivas entre educador e aluno não apenas fortalecem o vínculo, mas também potencializam o
desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como a atenção, a memória e o raciocínio.
Winnicott (1975), ao abordar a importância do brincar e das relações afetivas, introduz o
conceito de “ambiente suficientemente bom”. Para o autor, a criança precisa sentir-se segura e
acolhida para se expressar plenamente e desenvolver-se de forma saudável. Esse ambiente, que
inicialmente é proporcionado pela figura materna e posteriormente estendido ao espaço escolar,
oferece suporte emocional e estabilidade, permitindo à criança vivenciar experiências criativas e
construir sua autonomia. A ausência de vínculos afetivos estáveis pode comprometer o equilíbrio
emocional e o desenvolvimento da confiança básica, elementos fundamentais para a aprendizagem.
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A afetividade, portanto, é a base sobre a qual se estruturam todas as demais dimensões do
desenvolvimento humano. Ela se manifesta nas relações interpessoais, nas atitudes do educador,
no ambiente escolar e nas experiências cotidianas das crianças. Quando a escola reconhece o afeto
como parte constitutiva do processo educativo, contribui para formar sujeitos mais seguros,
empáticos e socialmente integrados. Dessa forma, a afetividade não é um elemento acessório da
educação, mas um componente essencial que sustenta a aprendizagem, a socialização e o
desenvolvimento integral da criança.
2. O brincar como linguagem e expressão da afetividade
O brincar é uma atividade natural e espontânea da infância, sendo uma das formas mais
genuínas de comunicação e expressão da criança. Desde os primeiros anos de vida, por meio das
brincadeiras, a criança manifesta sentimentos, desejos, medos, curiosidades e aprendizados. O
brincar é, portanto, uma linguagem simbólica, por meio da qual ela interpreta o mundo e expressa
suas emoções de maneira criativa. Kishimoto (2011) explica que o brincar possibilita à criança
representar e reconstruir experiências vividas, transformando a realidade e atribuindo novos
significados às suas ações e relações.
No ato de brincar, a criança ultrapassa os limites do concreto e adentra o campo da
imaginação, exercitando a liberdade e a criação. Brincar é um espaço de descoberta e
experimentação, em que o erro não é punido, mas integrado ao processo de aprendizagem. Nesse
sentido, o brincar também se configura como um exercício emocional, pois, ao representar papéis,
reviver situações e interagir com os colegas, a criança elabora sentimentos e aprende a lidar com
frustrações, medos e alegrias. Assim, o brincar torna-se um meio de expressão afetiva e de
equilíbrio emocional.
Na perspectiva histórico-cultural de Vygotsky (1998), o brincar ocupa um papel central no
desenvolvimento das funções psicológicas superiores. Ao participar de situações imaginárias, a
criança exercita a atenção, a memória, a imaginação e o autocontrole. Vygotsky observa que,
durante o faz de conta, a criança aprende a seguir regras e a negociar significados, vivenciando
experiências que envolvem tanto o raciocínio quanto a emoção. O brincar, portanto, é um espaço
privilegiado de aprendizagem e socialização, onde a afetividade está presente de forma intensa,
pois é no encontro com o outro que se constroem os vínculos e as trocas significativas.
De acordo com Winnicott (1975), o brincar é um “espaço potencial” — uma área
intermediária entre a realidade interna e a externa — onde a criança pode expressar sua criatividade
e desenvolver a confiança em si mesma e no outro. Para o autor, esse espaço lúdico só é possível
quando há uma relação afetiva segura, na qual o adulto oferece suporte emocional e liberdade para
a criança explorar. O brincar, nesse sentido, é também um ato de confiança e um meio de fortalecer
os laços afetivos entre criança e educador. Quando a criança brinca, ela experimenta o prazer de
ser, de criar e de existir em relação ao mundo que a cerca.
Na Educação Infantil, o brincar deve ser entendido como eixo estruturante da prática
pedagógica e não apenas como um momento recreativo. A brincadeira é, ao mesmo tempo, meio e
fim do processo educativo: é por meio dela que a criança aprende sobre si mesma, sobre o outro e
sobre o mundo. Brincar é aprender, comunicar-se e estabelecer vínculos afetivos. O educador, ao
participar das brincadeiras ou mesmo ao observá-las atentamente, tem a oportunidade de
compreender o universo simbólico da criança e identificar suas necessidades emocionais, sociais e
cognitivas.
Além disso, o brincar contribui para o desenvolvimento da empatia, da cooperação e do
respeito mútuo. As brincadeiras coletivas promovem a convivência e a aprendizagem de valores
éticos e sociais, fortalecendo a afetividade entre as crianças. Nesse contexto, o papel do educador
é criar ambientes acolhedores, seguros e estimulantes, nos quais o brincar aconteça de forma livre
e significativa. É por meio da brincadeira que a criança aprende a sentir, pensar e agir de forma
integrada, expressando a plenitude de sua infância.
Em síntese, o brincar é uma forma de linguagem e expressão afetiva que revela o modo
como a criança interpreta o mundo e se relaciona com ele. Por meio do brincar, ela constrói sua
identidade, amplia suas experiências e desenvolve sua capacidade de amar, de criar e de aprender.
Valorizar o brincar é, portanto, reconhecer que a afetividade é o fio condutor do desenvolvimento
infantil e o alicerce de uma prática educativa humanizadora.
3. Afetividade, mediação docente e práticas pedagógicas
A afetividade nas práticas pedagógicas manifesta-se de forma concreta nas relações
cotidianas entre professores e crianças, no modo como o educador acolhe, escuta e interage. A
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presença afetiva do professor é fundamental para que a criança se sinta segura, valorizada e
motivada a aprender. Como afirma Wallon (2007), a afetividade é a base sobre a qual se constrói
o desenvolvimento cognitivo e social, e o ambiente escolar precisa ser permeado por relações que
promovam vínculos positivos. Assim, o afeto não deve ser compreendido como mera emoção
passageira, mas como uma atitude pedagógica que orienta a prática docente.
O educador sensível reconhece que cada criança traz consigo um conjunto singular de
emoções, histórias e experiências, e que o processo educativo é, antes de tudo, um encontro
humano. Nessa perspectiva, o professor que acolhe, escuta e brinca junto estabelece uma relação
de confiança e respeito, condição indispensável para o desenvolvimento da autonomia e da
autoestima. Esse educador cria um clima emocional favorável à aprendizagem, onde o erro é
compreendido como parte do processo e onde a curiosidade e a criatividade são estimuladas.
Segundo Horn (2004), o professor deve compreender que o brincar é um direito da criança
e uma estratégia pedagógica essencial, que deve estar presente de forma intencional no cotidiano
escolar. O planejamento de atividades lúdicas, integradas à rotina e aos objetivos educativos, é um
gesto de afeto e de reconhecimento da infância como etapa única e significativa. Ao propor
brincadeiras, jogos simbólicos, contação de histórias e experiências exploratórias, o educador
favorece o desenvolvimento integral — cognitivo, motor, social e emocional — da criança. O afeto,
nesse processo, se manifesta no olhar atento, na escuta empática e na presença genuína do professor
durante o brincar.
A afetividade também se revela na maneira como o ambiente é organizado e na forma como
o tempo é estruturado. Um espaço acolhedor, com materiais acessíveis, cores suaves e cantinhos
que convidem à imaginação, comunica à criança que ela é importante e que seu bem-estar é
prioridade. Como defende Oliveira (2010), o ambiente educativo deve ser compreendido como um
“terceiro educador”, que expressa valores e intenções pedagógicas. Assim, a disposição do espaço,
o cuidado estético e a oferta de tempo livre para o brincar espontâneo são expressões concretas de
afeto institucional e respeito à infância.
Além disso, a mediação docente no brincar deve equilibrar liberdade e orientação. O
professor precisa estar presente, mas sem controlar excessivamente a brincadeira, permitindo que
a criança seja protagonista de suas ações e criações. A mediação afetiva consiste em acompanhar,
observar, apoiar e intervir apenas quando necessário, sempre com o intuito de ampliar as
possibilidades de expressão e aprendizagem da criança. Essa postura sensível fortalece o vínculo
entre educador e educando e favorece o desenvolvimento da autonomia emocional e intelectual.
Por fim, práticas pedagógicas afetivas exigem do educador reflexão constante sobre sua
própria postura e sobre os significados do afeto na educação. Isso implica reconhecer que o ensino
não se reduz à transmissão de conteúdos, mas envolve a construção de uma relação ética e empática
com o outro. A afetividade, nesse sentido, é um ato político e pedagógico, pois humaniza a prática
educativa e reafirma o direito da criança de viver uma infância plena, rica em vínculos, descobertas
e brincadeiras significativas.
Considerações Finais
O presente artigo buscou analisar o brincar como expressão da afetividade na Educação
Infantil, destacando sua importância no processo de desenvolvimento integral da criança e nas
práticas pedagógicas mediadas pelo afeto. Ao longo da discussão, evidenciou-se que a afetividade
e o brincar são dimensões indissociáveis da infância e constituem o alicerce para uma educação
verdadeiramente humanizadora. O brincar, mais do que uma atividade recreativa, é uma linguagem
por meio da qual a criança expressa emoções, constrói vínculos e elabora experiências, revelando
a complexa integração entre emoção, cognição e socialização.
Com base nas contribuições de Wallon (2007), compreende-se que o desenvolvimento
infantil é um processo dinâmico que envolve a articulação entre afetividade, movimento e
inteligência. As emoções, longe de serem secundárias, são impulsionadoras da aprendizagem e da
constituição da personalidade. Da mesma forma, Vygotsky (1998) demonstra que o
desenvolvimento humano é mediado socialmente e que o brincar, ao possibilitar a criação de
situações imaginárias, promove a internalização de valores, regras e afetos, fortalecendo a
dimensão social e cultural do aprendizado.
Winnicott (1975), por sua vez, ressalta que o brincar depende de um “ambiente
suficientemente bom”, no qual a criança se sinta segura para expressar sua criatividade e explorar
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o mundo de forma autêntica. Esse ambiente é construído por meio de relações afetivas estáveis e
acolhedoras, nas quais o educador exerce papel central como mediador e facilitador das
experiências emocionais e cognitivas. Assim, o brincar se consolida como um espaço de liberdade
e expressão, no qual o afeto é a base que sustenta o desenvolvimento saudável.
Nas práticas pedagógicas, a afetividade manifesta-se nas atitudes cotidianas do professor
— no olhar, na escuta e na presença atenta. O educador, ao reconhecer o brincar como eixo
estruturante da aprendizagem, transforma a relação educativa em um encontro de confiança e
empatia. A organização dos espaços, o tempo destinado ao brincar e o modo como o educador se
insere nas brincadeiras revelam o compromisso da instituição com o respeito à infância e ao
desenvolvimento integral da criança.
Dessa forma, a reflexão sobre o brincar e a afetividade na Educação Infantil conduz à
compreensão de que educar é, essencialmente, um ato de afeto e de escuta. A mediação pedagógica
deve estar pautada em relações humanas que valorizem a subjetividade e as emoções, reconhecendo
que aprender envolve sentir, pensar e interagir. O educador é um agente de cuidado, acolhimento
e inspiração, cuja ação afetiva contribui para a formação de sujeitos mais autônomos, criativos e
empáticos.
Conclui-se, portanto, que o brincar, quando mediado por relações afetivas, constitui-se
como um poderoso instrumento de desenvolvimento integral e de humanização das práticas
educativas. Valorizar o brincar é afirmar o direito da criança de viver uma infância plena, em que
aprender e sentir caminham juntos. É reconhecer que o afeto não é apenas uma dimensão
complementar, mas a essência que dá sentido à educação e à própria vida escolar.
REFERÊNCIAS
HORN, Maria da Graça S. Saberes e práticas da Educação Infantil: o brincar como modo de ser
e estar no mundo. Brasília: MEC/SEB, 2004.
KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira Thomson
Learning, 2011.
VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70, 2007.
WINNICOTT, Donald W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.