AESTHETIC-ENVIRONMENTAL EDUCATION (AEE) IN EMANCIPATORY PRACTICES OF STUDENTS IN THE EARLY YEARS OF ELEMENTARY SCHOOL
Dó: https://doi.org/10.5281/zenodo.19336285
Maria Regilene Gomes Nascimento 1
Margaréte May Berkenbrock-Rosito 2
1Mestranda em Ciências da Educação. Universidade Cidade de São Paulo (UNICID).
E-mail: regilenegomes7726@gmail.com
2 Doutora em Educação. Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).
E-mail: margaretemay@uol.com.br
RESUMO
O presente trabalho tem como tema a Educação Estético-Ambiental (EEA) que é uma modalidade de educação que busca desenvolver a sensibilidade e a consciência dos indivíduos em relação ao meio ambiente, utilizando a arte e a estética como ferramentas para sensibilizar e promover a reflexão sobre a natureza, o meio ambiente e as relações humanas com ele. O objetivo principal deste estudo é compreender os efeitos da educação estético-ambiental em práticas emancipatórias de alunos dos anos iniciais do ensino fundamental. Para o alcance desse objetivo, utilizou-se como metodologia uma revisão bibliográfica, e documental, de natureza qualitativa e descritiva. Os resultados obtidos indicam que a EEA é um campo essencial para a emancipação completa de todas as qualidades e sentidos humanos, pois une a lógica e sensibilidade, razão e sentimento, conceito e estesia, nos indivíduo proporcionando novas ideias, novas percepções e novos olhares sobre o mundo e a vida. Por fim, conclui-se que a EEA é uma educação problematizadora que permite que os alunos compreendam suas razões de ser e estar no mundo, e com isso possibilita uma postura crítica, capaz de mudar a realidade e de transformar a localidade em que vivem, promovendo a emancipação destas pessoas com foco no aumento do sentimento de pertencimento e a valorização do bairro ou cidade local através de reflexões estético-ambientais.
Palavras-chave: Educação ambiental; educação estética; educação estético-ambiental.
ABSTRACT
The theme of this study is Aesthetic-Environmental Education (EEA), which is a type of education that seeks to develop individuals’ sensitivity and awareness of the environment, using art and aesthetics as tools to raise awareness and promote reflection on nature, the environment, and human relationships with it. The main objective of this study is to understand the effects of aesthetic-environmental education on emancipatory practices of students in the early years of elementary school. To achieve this objective, a bibliographic and documentary review of a qualitative and descriptive nature was used as a methodology. The results obtained indicate that EEA is an essential field for the complete emancipation of all human qualities and senses, as it unites logic and sensitivity, reason and feeling, concept and esthetics, providing individuals with new ideas, new perceptions, and new perspectives on the world and life. Finally, it is concluded that EEA is a problem-solving education that allows students to understand their reasons for being and being in the world, and with this enables a critical stance, capable of changing reality and transforming the place in which they live, promoting the emancipation of these people with a focus on increasing the feeling of belonging and the appreciation of the local neighborhood or city through aesthetic-environmental reflections.
Keywords: Environmental education; aesthetic education. aesthetic-environmental education.
1. INTRODUÇÃO
Durante vários séculos, a humanidade de maneira descontrolada consumiu os recursos naturais e poluiu os rios, lagos, o mar o ar e o solo. Isso resultou na degradação do meio ambiente, gerando consequências catastróficas, como os maremotos, os furacões, as tempestades cada vez mais frequentes e violentas; o clima cada dia mais imprevisível ou até mesmo, insuportável.
Ademais, em virtude do consumo desenfreado, os recursos naturais têm sido explorados de forma desordenada, correndo o risco de em pouco tempo se extinguirem. Destarte, tornou-se imperativo a necessidade de formas de mitigação de tais problemáticas; outrossim, a educação estético-ambiental surge como uma solução viável e plausível para supramencionada problemática.
A educação estética geralmente está relacionada a elementos associados ao belo, as artes mas, nos processos educativos, também ajuda os indivíduos a terem uma visão para além das aparências superficiais. Já a educação ambiental é um processo de aprendizagem que visa a construção de valores e atitudes que promovam a sustentabilidade e a conservação do meio ambiente.
Portanto, a educação estético-ambiental é o processo que desenvolve e liberta as dimensões humanas através de vivências significativas em um contexto histórico e social, promovendo a prática nas relações sociais, políticas e culturais.
Nesse contexto, a integração da educação estética à educação ambiental ganha relevância, pois a educação estética aborda o mais profundo do indivíduo, ao passo que a educação ambiental nos confronta com questões atuais, contribuindo para a emancipação e para a superação da alienação em que estamos inseridos.
Diante do exposto, a questão norteadora desta pesquisa é: Quais os efeitos da Educação estético-ambiental em práticas emancipatórias de alunos dos anos iniciais do ensino fundamental?
Partindo desse pressuposto, temos como objetivo geral compreender os efeitos da educação estético-ambiental em práticas emancipatórias de alunos dos anos iniciais do ensino fundamental. E de forma específica, verificaremos os fundamentos históricos e teóricos metodológicos da educação estético-ambiental; buscaremos entender a correlação entre educação estético-ambiental nas séries iniciais do ensino fundamental; por fim, demonstraremos o caráter emancipatório da educação estético-ambiental em alunos das séries iniciais do ensino fundamental.
Dessa forma, a pesquisa torna-se relevante à medida que poderá subsidiar pesquisadores em debates no meio acadêmico e na sociedade como um todo acerca da temática desta pesquisa.
2. Referencial Teórico
A Educação Estética-Ambiental (EEA) surge da união entre a Educação Ambiental com a Educação Estética a partir da década de 1990 em Cuba e acaba se desenvolvendo também no sul do Brasil, mais especificamente na Universidade Federal de Rio Grande (FURG). Tal abordagem pedagógica é resultado de estudos e reflexões na busca por uma educação que resgate uma característica essencial do ser humano: seu desenvolvimento estésico e estético (Ponick, 2023).
Essa teoria se baseia na premissa de que a EEA está baseada em valores, no sentido de valores estéticos, colaborativos, sensíveis e amorosos, que muita, vezes ultrapassam as grades disciplinares, característica de uma educação racionalista. Além disso, esta educação tenha surgido com a preocupação de grupo de pesquisadores da questão ambiental, a experiência prática é realizada na escola, com as crianças (De Araújo e Morais, 2024).
Para compreendemos o objetivo geral dessa pesquisa, faz-se necessário o seguinte entendimento do seguinte postulado: a EEA está relacionada ao desenvolvimento e emancipação das dimensões humanas através de experiências significadas em um contexto histórico e social, que devemos proporcionar em nossa prática em sala de aula no ensino fundamental, seja também nas relações sociais, políticas e cultura.
Portanto, a EEA refere-se a uma práxis pedagógica que tem o intuito de construir relações humanas saudáveis, fundamentada em ações conscientes e significativas para todos os sujeitos envolvidos no contexto histórico e social. Vale ressaltar a importância da união e compreensão as dimensões física, afetiva, social, intelectual dos sujeitos. Além disso, as ações desenvolvidas pela Educação Estético-Ambiental tem por objetivo a práxis consciente nas relações do sujeito com o mundo e no mundo (Dolci e Simões, 2022).
Nessa perspectiva encontramos resposta para é a questão norteadora desta pesquisa, pois conforme Ponick (2023), o estético, vai além de uma visão restrita, que geralmente relacionada com o belo e com as “belas” artes. Além disso, o desenvolvimento da esfera do estético no ser humano deve englobar o
cotidiano das pessoas e a vida em si mesma e relações sociais. É no dia a dia que o estético está presente e se manifesta, como possibilidade sensível e sensibilizadora das relações humanas e da humanidade com toda a complexidade da vida em fazemos parte.
A EEA tem fundamentos tanto na filosofia como pedagogia conforme demonstrada a seguir:
Quadro 1 – Estética-Ambiental (EEA) Fundamentos Filosóficos e Pedagógicos

Tais fundamentos em EEA em princípios filosóficos e pedagógicos visam a sensibilização e a transformação das relações humanas com o ambiente, promovendo uma educação dialógica, sensível e emancipatória, reconhecendo a importância da natureza como fonte de beleza e inspiração, enquanto a pedagogia enfatiza a necessidade de criar espaços de aprendizagem que valorizem a experiência estética e a reflexão crítica sobre o ambiente. É importante ressaltar que educar esteticamente é despertar no sujeito os seus impulsos que há em si e orientá-los a novas descobertas. Esse processo inicia a formação do sentido estético da personalidade, desenvolvendo os sentimentos, as necessidades, os interesses, os ideais e os gostos estéticos em interação com a realidade em que vive. Essa transformação da cultura estética da sociedade em uma cultura estética do indivíduo. A Educação Estética é o processo capaz de promover a formação da personalidade que conscientiza, interage e transforma o mundo de acordo com o ideal estético-social (Dolci e Simões, 2022).
Para uma compreensão mais completa desta temática, autores como Andrade (2024), Silva (2024) e Velasques (2024) concordam que a EEA é uma das alternativas para a formação integral dos indivíduos, pois possibilita estudos da integração de conceitos, métodos e práticas investigativas e pedagógicas na escola e no ambiente em que vivem, buscando o conhecimento e fazendo reflexões estético-ambientais. Essas reflexões são necessárias para a compreensão do mundo tendo como ponto de partida as emoções, os sentimentos, de coisas que tocam nosso corpo e a nossa mente, conectando razão e emoção.
Na prática, para promover uma formação integral dos alunos do ensino fundamental (Quadro – 2) nos anos iniciais, por meio do desenvolvimento da EEA, faz-se necessária propor experiências que possam conectar o ser humano e o ambiente natural, através da realização de atividades pedagógicas teóricas e práticas em ambientes ao ar livre, com realização de aulas de campos em parque ecológicos, trilhas guiadas, criação de hortas na escolas, jardins e outros, que seja oportunizado o contato com o meio natural. Estas atividades devem ser planejadas com a intencionalidade despertar os sentidos humanos e desenvolver a percepção estética dos estudantes, a fim de potencializar a aprendizagem cognitiva, afetiva e emocional; estas diferentes formas de interação com o meio natural, fomentam novos pensamentos, novas sensações, novas experiências, novas lembranças e novos aprendizados (Andrade, 2024; Silva, 2024; Velasques, 2024).
Quadro 2 – Séries do Ensino Fundamental Ensino Fundamental Séries

Nesse sentindo, é relevante ressaltar que deve-se oferecer aos alunos uma educação emancipatória que seja transformadora, humanizante e humanizada, tendo como ponto de partida a educação sensível, abordando fundamentos, saberes e práticas pedagógicas desenvolvidas em contextos escolares ou até mesmo fora da escola. Assim, damos visibilidade a estudos e pesquisas no campo das ciências humanas, da área da educação, que também têm como premissa a promoção de processos educativos criativos, sensíveis, éticos e estéticos, estimuladores de reflexões sobre o contexto vivido. (De Andrade; Da Silva; Velasques, 2024).
Outro conceito-chave a ser explorado na EEA (Figura – 1) é a educação problematizadora que permite que os alunos compreendam suas razões de ser e estar no mundo, e com isso possibilita uma postura crítica, capaz de mudar a realidade e de transformar a localidade em que vivem, promovendo a emancipação destas pessoas com foco no aumento do sentimento de pertencimento e a valorização do bairro ou cidade local através de reflexões estético-ambientais (Freire, 2011).
Outra questão central a ser abordada é que a EEA é um campo essencial para a “emancipação completa de todas as qualidades e sentidos humanos”, afetado, pela alienação causada pelo avanço da sociedade capitalista em que vivemos (Marx, 2010, p. 109). Por meio dessa prática pedagógica temos possibilidade romper com a limitação da capacidade subjetiva sobre determinada atividade artística, pois a criação artística tem sentido se apresentar sentido para o sujeito (Becher e Iared, 2022).
Para Marx (2010), se há um empobrecimento na qualidade e nos sentidos humanos, há também um empobrecimento e um esgotamento estético nas relações do sujeito com os outros sujeitos e com os objetos de criação.
Figura 1 – Nuvem de palavras de conceito-chave na EEA

Para entender plenamente o contexto da EEA, é necessário considerar que nos educadores estético-ambientais tem por objetivo unir a lógica e sensibilidade, razão e sentimento, conceito e estesia, nos indivíduo com novas ideias, novas percepções, novos olhares sobre o mundo e a vida. Além disso, sem sensibilidade e sem amor, não chegamos a lugar algum na educação humana. Vale lembrar que amar pode ser uma arma para aqueles que aindatêm esperanças; e os educadores são esperançosos porque através da EEA tornam-se capazes de formar indivíduos e construir o alicerce para formação integral do sujeito, buscando desvelar cada sujeito em suas formas de ser e estar em sociedade (Dolci e Simões, 2022).
A EEA encontra também, respaldo nas legislações educacionais em âmbito federal como na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) conforme será explicado a seguir.
Em relação a EEA, a BNCC, é necessário mencionar que este documento de base foi formulado em cumprimento à Lei 9131/95, na busca de garantir aos estudantes o direito de aprender um conjunto fundamental de conhecimentos e habilidades comuns, de norte a sul, nas escolas públicas e privadas, urbanas e rurais do país; participaram de dessa elaboração diversas entidades, incluindo universidades, escolas, instituições do terceiro setor, professores e representantes de diferentes segmentos da educação básica, foi crucial para a elaboração da BNCC (Franco & Mello, 2022).
A BNCC reconhece a importância da educação ambiental, incluindo a EEA, e a inclui em suas diretrizes, visando o desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas ao meio ambiente, como a compreensão da interdependência entre sociedade e natureza, a promoção de práticas sustentáveis e a conscientização sobre problemas ambientais; nessa perpesctiva a EEA se propõe a enriquecer o relacionamento emocional das pessoas com o meio ambiente para enfrentamento da crise ambiental que pode gerar um colapso mundial (Franco & Mello, 2022). Além disso, promove destruição, pobreza e desigualdade, não será uma política como a BNCC, conduzida por valores do capital e que mercantiliza a educação, que efetivará tais transformações (Silva e Loureiro, 2020).
Uma questão central a ser abordada na relação entre os PCNs e a EEA, é o caráter transversal e interdisciplinar oferecida pela segunda. Nesse escopo, a EEA com sua extrema importância e relevância, é ampla e abrange todas as áreas e disciplinas que sejam propostas na Educação Básica (Branco; Royer;
De Godoi Branco, 2018)
Vale ressaltar que conformo os PCNs, a EEA, além de um instrumento que guie o aluno na compreensão dos problemas que afetam a sua vida e o local em que vivem, oportuniza ainda o entendimento dos problemas eu seu país e no planeta (Silva e Loureiro, 2020). Nesse interim, conforme Branco; Royer; De Godoi Branco (2018), muitas das questões políticas, econômicas e sociais estão relacionada a EAA. Por isso em situações em sala, devemos nos organizar de forma a proporcionar oportunidades para que o aluno possa utilizar os conhecimentos estéticos ambientais na compreensão de sua sua realidade, podendo assim atuar sobre ela.
No que diz respeito as DCNs e sua relação com a EEA, observa-se a instituição da Lei n.º 9.795, de 27 de abril de 1999 que institui a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) que definiu os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade devem construir valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade (Brasil, 1999). Além disso, dentre os objetivos fundamentais da Educação Ambiental, estão o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente, em suas múltiplas e complexas relações, configurando-se assim a fusão entre a EEA e a educação ambiental, ampliar o campo de educação para o incentivo a preservação do meio ambiente e para o exercício da cidadania para outras questões sociais como: sustentabilidade e outros (Branco; Royer; De Godoi Branco, 2018).
E conforme Branco; Royer; De Godoi Branco (2018) na supramencionada perspectiva, a EEA despertar a sensibilidade e o apreço pela natureza, contribuindo para uma visão mais profunda e consciente do meio ambiente, incluindo tais preceitos inclusive no Projeto Político Pedagógico (PPP) das escolas (Branco; Royer; De Godoi Branco, 2018).
Uma discussão mais aprofundada sobre este tema revela que a experiência estética ambiental é capaz de manter o equilíbrio na formação do sujeito, para uma gama de experiências enriquecedoras no nível do inconsciente e do consciente, em um canal aberto para a expressividade, a criatividade e a atitude crítica. Além disso adquire-se o conhecimento e a capacidade de juízo sempre que a experiência estética comprometa o ser humano em sua totalidade, de modo que cada sentido entre em harmonia com o ambiente e seu sujeito, mostrando-se intencionalmente ativo no terreno estético, equilibrando os diversos componentes da formação humana (Dolci e Pereira, 2020).
3. Metodologia
Este estudo é uma revisão bibliográfica, e documental, de natureza qualitativa e descritiva. Para tanto, adotou-se como metodologia, no presente trabalho, a realização de leituras e análises de publicações, tais como, artigos, teses e dissertações.
Quanto ao objeto de estudo da pesquisa é estudo censitário, pois, iremos abordar educação estético-ambiental para alunos dos anos iniciais que está na faixa etária de 6 aos 10 anos de idade.
No que concerne a técnica de coleta de dados será através da pesquisa bibliográfica e documental, para podermos analisar o assunto abordado e compreender a problemática relacionada ao tema.
Já análise de dados, optamos pela triangulação na análise de conteúdo. Esta abordagem nos permite consultar várias fontes de pesquisa para melhor compreensão do objeto de estudo.
3.1 Critérios de elegibilidade
Foram incluídos artigos originais em língua portuguesa, com corte temporal entre 2020-2025, desta forma ficarão excluídos arquivos indisponíveis para leitura nas bases de dados; literatura cinzenta; capítulos de livros; além de palestras e resumos de congressos.
População que será incluída para elegibilidade dos estudos: estudos científicos que tratem sobre a educação estético-ambiental.
O processo seleção e inclusão de estudos para a composição desta pesquisa, está descrita a seguir no Quadro 3:

3.2 Estratégia de pesquisa
A coleta de artigos científicos foi realizada por um pesquisador, aplicando os seguintes descritores nas buscas, a partir da utilização do Operadores Booleanos (“Educação ambiental”), “OR” (“Educação estética”), “OR” (“Educação estético-ambiental).
O operador booleano “OR” funciona como a palavra “OU”, mostrando a união dos conjuntos, ou seja, a base de dados fornece a lista dos artigos que contenham pelo menos uma das palavras que, normalmente, são sinônimas. Este termo aumenta a sensibilidade da busca.
A busca de artigos realizou-se através de 2 (duas) bases de dados: Scientific Eletronic Library Online (SCIELO) e na base de dados de Periódicos Científicos Google acadêmico fundamentado na legislação e na literatura científica, como doutrinas, revistas, publicações de artigos científicos, trabalhos monográficos, dissertações e teses, entre outros, que abordem o tema e respondam a seguinte questão: Quais os efeitos da Educação estético-ambiental em práticas emancipatórias de alunos dos anos iniciais do ensino fundamental?
O fluxograma a seguir (Quadro 2) apresenta, de forma mais didática, o passo a passo da triagem dos estudos incluídos nesta revisão literária, desde sua identificação até a consolidação final dos estudos.
Quadro 4

4. Resultados e Discussões
A análise dos quinze estudos selecionados evidenciou que a Educação Estético-Ambiental se apresenta como uma abordagem pedagógica consistente e relevante para a formação integral de alunos dos anos iniciais do ensino fundamental. A partir da triangulação dos dados, foi possível identificar que a EEA promove uma integração efetiva entre cognição, sensibilidade, afetividade e consciência social, contribuindo para um processo educativo mais amplo e significativo. Nesse sentido, os resultados confirmam que a articulação entre educação estética e educação ambiental favorece o desenvolvimento de sujeitos mais críticos, reflexivos e conscientes de seu papel na sociedade (Dolci; Simões, 2022).
Os estudos analisados indicam que a EEA amplia a percepção dos alunos em relação ao meio ambiente ao incorporar experiências sensoriais e estéticas no processo de aprendizagem. Diferentemente de abordagens tradicionais, centradas na transmissão de conteúdos, a EEA valoriza a vivência, a experimentação e a subjetividade, permitindo que os estudantes construam significados a partir de suas próprias experiências. Essa perspectiva reforça a ideia de que o conhecimento não se limita à dimensão racional, mas envolve também aspectos emocionais e sensíveis, essenciais para a formação humana integral (Ponick, 2023).
No que diz respeito à formação de uma consciência ambiental crítica, os resultados apontam que a EEA contribui significativamente para a compreensão das relações entre sociedade, natureza e cultura. Ao promover reflexões sobre o cotidiano e incentivar práticas pedagógicas contextualizadas, essa abordagem possibilita que os alunos reconheçam os impactos das ações humanas sobre o meio ambiente e desenvolvam atitudes mais responsáveis e sustentáveis. Tal constatação está em consonância com os estudos de Franco e Mello (2022), que destacam a importância da inserção da educação ambiental nas diretrizes curriculares como forma de promover a cidadania e a sustentabilidade.
Outro aspecto relevante identificado refere-se ao caráter emancipatório da Educação Estético-Ambiental. Os dados analisados demonstram que essa abordagem favorece o desenvolvimento da autonomia, do pensamento crítico e do senso de pertencimento dos alunos. Ao estimular a problematização da realidade e a reflexão sobre o contexto social em que estão inseridos, a EEA possibilita que os estudantes compreendam sua posição no mundo e se reconheçam como agentes de transformação social. Essa perspectiva dialoga diretamente com a concepção de educação problematizadora proposta por Freire (2011), na qual o processo educativo deve promover a conscientização e a emancipação dos sujeitos.
Além disso, os resultados indicam que a utilização de práticas pedagógicas inovadoras, como atividades ao ar livre, projetos interdisciplinares, uso da arte e experiências sensoriais, potencializa o engajamento dos alunos e contribui para uma aprendizagem mais significativa. Tais práticas favorecem a construção de conhecimentos contextualizados e estimulam a criatividade, a expressão e a reflexão crítica. Nesse contexto, De Andrade; Da Silva; Velasques (2024) destacam que a vivência em ambientes naturais e o contato direto com o meio ambiente são fundamentais para o desenvolvimento da percepção estética e da consciência ecológica dos estudantes.
A análise também revelou que a Educação Estético-Ambiental está alinhada às principais diretrizes educacionais brasileiras, como a Base Nacional Comum Curricular, os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares Nacionais. Esses documentos reforçam a importância de uma educação voltada para a formação integral do indivíduo, contemplando dimensões cognitivas, sociais, emocionais e ambientais. Nesse sentido, a EEA se apresenta como uma abordagem que contribui para a efetivação dessas diretrizes, ao promover uma educação interdisciplinar, crítica e voltada para a realidade dos alunos (Branco; Royer; De Godoi Branco, 2018).
Entretanto, apesar das contribuições evidenciadas, os estudos analisados também apontam desafios para a implementação da EEA no contexto escolar. Entre as principais dificuldades, destacam-se a ausência de formação específica dos professores para trabalhar com essa abordagem, a limitação de recursos didáticos e estruturais, bem como a predominância de práticas pedagógicas tradicionais que ainda resistem à inovação. Esses fatores podem comprometer a efetividade da EEA e limitar seu potencial transformador. De acordo com Silva e Loureiro (2020), a consolidação de práticas educativas críticas e ambientais depende de mudanças estruturais no sistema educacional e de investimentos na formação docente.
Outro ponto importante observado nos resultados refere-se à necessidade de superação de uma visão fragmentada do conhecimento. A EEA propõe uma abordagem interdisciplinar, que integra diferentes áreas do saber e promove uma compreensão mais ampla da realidade. No entanto, a estrutura curricular tradicional, muitas vezes organizada de forma compartimentada, pode dificultar essa integração. Dessa forma, torna-se necessário repensar as práticas pedagógicas e os currículos escolares, de modo a favorecer a implementação de propostas educativas mais integradoras e contextualizadas (Estévez Rodríguez, 2022).
O estudo apresenta como principal limitação o fato de se basear apenas em revisão bibliográfica e documental, o que restringe a análise a dados secundários e impede uma compreensão mais aprofundada da aplicação prática da Educação Estético-Ambiental e de seus impactos no processo de aprendizagem. Além disso, destaca-se a escassez de estudos específicos sobre o tema, evidenciando a necessidade de maior produção científica.
Diante disso, recomenda-se que pesquisas futuras realizem estudos de campo, com abordagens qualitativas e quantitativas, bem como investigações interventivas que avaliem os efeitos da EEA no desenvolvimento dos alunos. Também se ressalta a importância de pesquisas voltadas à formação docente, a fim de fortalecer a aplicação dessa abordagem e ampliar sua efetividade no contexto educacional.
5. Conclusão ou Considerações Finais
Este estudo teve por objetivo geral compreender os efeitos da educação estético-ambiental em práticas emancipatórias de alunos dos anos iniciais do ensino fundamental (6º, 7º, 8º e 9º ano). Nesse sentindo o objetivo foi antigido pois restou demonstrado que a EEA é um campo essencial para a emancipação completa de todas as qualidades e sentidos humanos, pois une a lógica e sensibilidade, razão e sentimento, conceito e estesia, nos indivíduo proporcionando novas ideias, novas percepções e novos olhares sobre o mundo e a vida, proporcinando práticas emancipatórias aos alunos dos anos iniciais do ensino fundamental.
Os objetivos específicos foram atingidos, haja vista, os estudos científicos analisados descreveram os fundamentos históricos e teóricos metodológicos da EEA; propiciaram o entendimento da aplicabilidade dos preceitos da EEA nas séries iniciais do ensino fundamental; e demonstraram o caráter emancipatório da EEA ante alunos das séries iniciais do ensino fundamental.
Desta feita, foram ainda analisados documentos oficiais da Educação, como os PCNs, a BNCC, o DCRC no contexto das contribuições de tais diretrizes para aplicanilidade da EEA nos anos finais do ensino fundamental.
Por fim, conclui-se que a EEA é uma educação problematizadora que permite que os alunos compreendam suas razões de ser e estar no mundo, e com isso possibilita uma postura crítica, capaz de mudar a realidade e de transformar a localidade em que vivem, promovendo a emancipação destas pessoas com foco no aumento do sentimento de pertencimento e a valorização do bairro ou cidade local através de reflexões estético-ambientais.
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