A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS NO AMBIENTE ESCOLAR: ESTRATÉGIAS E IMPACTOS

CONFLICT MEDIATION IN THE SCHOOL ENVIRONMENT: STRATEGIES AND IMPACTS

Dói: 10.5281/zenodo.18793006

Maria Araújo Neta[1]

[1] Mestranda em Ciências da Educação. E-mail: maria_araujo.n@outlook.com.

RESUMO

 

As instituições de ensino desempenham um papel crucial na prevenção da violência entre jovens, contribuindo assim, para a segurança e o bem-estar dos alunos. Para criar um ambiente escolar mais seguro, são implementados programas focados em educação e segurança, como a mediação de conflitos, o desenvolvimento socioemocional e a prevenção do bullying. Tais iniciativas visam não só diminuir a violência física, mas também evitar problemas como o bullying e a exclusão social. A parceria entre escolas, famílias e a comunidade é vital para o êxito desses programas. O estudo adotou uma metodologia bibliográfica. Assim, a revisão bibliográfica apoiou a análise dos dados empíricos, situando os resultados dentro de um referencial teórico abrangente. O propósito principal deste estudo foi examinar o papel desempenhado pela escola na mediação de conflitos, que podem evoluir para a violência entre jovens. A pesquisa buscou entender como essas iniciativas contribuíram para diminuir comportamentos agressivos, promover o desenvolvimento socioemocional dos estudantes e fortalecer as relações interpessoais dentro da comunidade escolar. O referencial teórico se apoiou em pensadores, que vê a educação como um meio de transformação social, e Johan Galtung, com sua teoria da paz positiva, que destaca a criação de ambientes inclusivos e colaborativos. Os resultados indicaram que as iniciativas da escola, como rodas de conversa, oficinas temáticas e apoio psicológico, podem contribuir para um ambiente mais seguro e colaborativo, com uma diminuição nos casos de bullying e maior engajamento dos alunos. Contudo, a pesquisa também apontou desafios, como a formação insuficiente dos educadores e a participação limitada das famílias e da comunidade, o que afetou a sustentabilidade das ações preventivas. Concluiu-se que a escola desempenha um papel importante na prevenção da violência juvenil, mas a eficácia de suas ações pode ser aumentada através de estratégias integradas que incluam mais formação contínua para os profissionais, parcerias com a comunidade e um fortalecimento do diálogo com as famílias.

 

Palavras-Chave: Prevenção da violência; Mediação de conflitos; Parceria escola-comunidade; Estratégias pedagógicas.

 

 

 

ABSTRACT

 

Educational institutions play a crucial role in preventing violence among young people, thus contributing to the safety and well-being of students. To create a safer school environment, programs focused on education and safety are implemented, such as conflict mediation, socio-emotional development, and bullying prevention. These initiatives aim not only to reduce physical violence but also to prevent problems such as bullying and social exclusion. Partnership between schools, families, and the community is vital for the success of these programs. This study adopted a bibliographic methodology. Thus, the literature review supported the analysis of empirical data, situating the results within a comprehensive theoretical framework. The main purpose of this study was to examine the role played by the school in mediating conflicts that can escalate into violence among young people. The research sought to understand how these initiatives contributed to reducing aggressive behaviors, promoting the socio-emotional development of students, and strengthening interpersonal relationships within the school community. The theoretical framework was based on thinkers who see education as a means of social transformation, and Johan Galtung, with his theory of positive peace, which emphasizes the creation of inclusive and collaborative environments. The results indicated that school initiatives, such as discussion groups, thematic workshops, and psychological support, can contribute to a safer and more collaborative environment, with a decrease in bullying cases and greater student engagement. However, the research also pointed to challenges, such as insufficient teacher training and limited participation from families and the community, which affected the sustainability of preventive actions. It was concluded that the school plays an important role in preventing youth violence, but the effectiveness of its actions can be increased through integrated strategies that include more ongoing training for professionals, partnerships with the community, and a strengthening of dialogue with families.

Keywords: Violence prevention; Conflict mediation; School-community partnership; Pedagogical strategies.

 

INTRODUÇÃO

 

A violência entre jovens tem se destacado como um dos problemas mais complexos da sociedade atual, especialmente dentro das escolas, onde seus efeitos impactam diretamente o desenvolvimento dos estudantes. Como locais de aprendizado e socialização, as escolas enfrentam o desafio de lidar com várias formas de violência, desde agressões físicas até bullying psicológico, com consequências profundas para o bem-estar e o desempenho acadêmico dos alunos. Esses comportamentos não só prejudicam o ambiente educacional, mas também afetam o crescimento emocional e as habilidades sociais dos jovens.

Nesse cenário, o papel da escola se torna ainda mais crucial, pois precisa ir além do ensino tradicional para incluir ações de prevenção, educação emocional e promoção de interações saudáveis entre os estudantes. Para alcançar esse objetivo, é fundamental que as instituições educacionais implementem estratégias de segurança, apoio psicossocial e programas de conscientização que fomentem uma cultura de respeito e solidariedade no ambiente escolar.

A problemática do estudo consiste em descobrir qual o papel desempenhado pela escola na mediação de conflitos, buscando minimiza-los para não evoluir para a violência entre jovens.

O propósito principal deste estudo é examinar o papel desempenhado pela escola na mediação de conflitos, que podem evoluir para a violência entre jovens.

Para chegar na discussão desse trabalho foi necessário construir uma metodologia condizente com o objetivo do mesmo. Na metodologia é mostrada a organização da pesquisa com a descrição dos recursos utilizados, bem como os instrumentos para a coleta das informações e construção do trabalho. “A pesquisa é aquela que se efetiva tentando-se resolver um problema ou adquirir conhecimentos a partir do emprego predominante de informações provenientes de material gráfico, sonoro ou informatizados” (PRESTES, 2003, p. 30).

Quanto aos procedimentos técnicos foi classificada como sendo uma pesquisa bibliográfica. A pesquisa bibliográfica trata-se do levantamento, seleção e documentação de toda bibliografia já publicada sobre o assunto que está sendo pesquisado, em livros, revistas, jornais, boletins, monografias, teses, dissertações, material cartográfico, com o objetivo de colocar o pesquisador em contato direto com todo material já escrito sobre o assunto (LAKATOS; MARCONI, 2009).

 

2 MEDIAÇÃO DE CONFLITOS NO AMBIENTE ESCOLAR

 

A resolução de conflitos por meio da mediação é uma abordagem proativa voltada para solucionar desavenças e fomentar um ambiente de aprendizado que seja mais colaborativo e respeitoso. Nas instituições de ensino, essa estratégia é essencial para transformar o espaço escolar em um local seguro e acolhedor, onde os estudantes podem alcançar seu potencial. A adoção da mediação de conflitos tem sido vital no fortalecimento das relações interpessoais entre alunos, docentes e equipe administrativa. Essa prática não só resolve conflitos de forma eficaz, mas também ensina importantes habilidades de comunicação e empatia, fundamentais para a convivência em sociedade.

No contexto escolar, a mediação exige o treinamento de estudantes e professores como mediadores. Esses mediadores são capacitados para facilitar o diálogo entre os envolvidos no conflito, ajudando-os a entender as perspectivas uns dos outros e a encontrar soluções que sejam aceitas por todos. O processo de mediação promove uma cultura de diálogo e respeito mútuo, aspectos frequentemente deixados de lado em métodos disciplinares tradicionais

A indisciplina na escola é um dos meios que mobiliza gestores, docentes e todos os profissionais da educação, pais responsáveis e alunos todos os atores envolvidos no meio escolar de diferentes escolas brasileiras. Porém, apesar desta temática forma-se a finalidade de consternação, no ambiente escolar num todo, superficialmente debatido (Oliveira; Souza, 2022).

Frisa-se que, além da falta de clareza e acordo a respeito do significado da palavra indisciplina, essa temática expressa às marcas de um discurso impregnado por discriminação e paradigmas do senso comum. Tais aspectos se agravam em consideração os trabalhos de averiguação realizados ainda são insuficientes.

É de fundamental importância, citar que todos os profissionais envolvidos no processo ensino aprendizagem da escola devem enfatizar com uma maior profundeza a questão da indisciplina na escola, buscando desenvolver políticas educacionais que venham sanar a problemática deste paradigma no contexto escolar e também ser desenvolvido políticas em nível de Município, Estados e União.

 

Sabemos que a escola é determinada socialmente, mas dentro de sua contradição, dentro do seu espaço de autonomia relativa, o que está fazendo? Para a formação de que tipo de sociedade está colaborando? Se o professor pensa em simplesmente em conseguir silêncio de seus alunos para poder falar, está tendo uma visão muito estreita. (Vasconcelos, 2004, p. 24).

 

O professor deve estar sempre atento aos métodos pedagógicos que utiliza na sala de aulas, pois existem determinados métodos ou tendências pedagógicas (tradicionalistas) que dependendo da forma de como são colocados em pratica podem influenciam diretamente a indisciplina dos alunos. O profissional docente pode instigar aos docentes a competitividade e a rivalidade com a finalidade de melhorar o aprendizado, mas nunca permitir que discutam de forma destrutiva e incentive assim a indisciplina do aluno.

A indisciplina existente dentro das escolas não tem apenas uma única causa, mais sim uma combinação complexa de causas. Tal complexidade é elemento do aspecto da indisciplina, embora sua definição seja, além disso, um trabalho não compreendido na sua totalidade (Oliveira; Souza, 2022).

Os vários motivos da indisciplina escolar podem ser reunidos em dois grupos gerais, que são denominados de causas externas à escola e as causas internas. No primeiro grupo nos deparamos com a influência exercida pelos veículos de comunicação, a violência social e espaço escolar (Yoshida, 2019).

As causas existentes no ambiente escolar incluem, essencialmente, o ambiente escolar e as condições de ensino-aprendizagem, o relacionamento humano, o perfil dos alunos e a competência de se adaptar aos projetos da escola. Neste contexto ainda, temos a relação entre professores, descente e a intercessão disciplinar que os primeiros praticam, pois estar sujeito à situação pode reforçar ou gerar modos de indisciplina nesses últimos.

A escola adotou diversas estratégias para integrar a mediação de conflitos em seu currículo e práticas cotidianas. Isso envolve workshops, sessões de treinamento e atividades que aumentam a conscientização sobre a importância da resolução de conflitos. Essas atividades não apenas solucionam problemas existentes, mas também previnem futuros, criando um ambiente escolar menos propenso a conflitos. Essa abordagem abrangente é crucial para assegurar a continuidade das práticas de mediação de conflitos.

Além disso, a mediação de conflitos contribui para o desenvolvimento de uma comunidade escolar mais unida e empática. Ao envolver alunos em seu próprio processo de resolução de conflitos, eles se tornam mais conscientes de suas ações e do impacto que têm nos outros. Este envolvimento direto aumenta a responsabilidade pessoal e promove uma mudança positiva no comportamento dos estudantes. Os relatos de melhoria no clima escolar são consistentes, com alunos e professores relatando uma atmosfera mais positiva e menos tensa.

Atualmente as Práticas Restaurativas tem ganhado reconhecimento e aplicação na todos os campos da vida social, especialmente na área da educação. No contexto escolar, essas práticas têm surtido efeito na prevenção indisciplinar, no controle das violências, podendo ser usadas para lidar com uma grande variedade de conflitos escolares como bullying e agressões, até casos mais sérios (Santos; Silva, 2021).

As práticas restaurativas são úteis para conter a raiva, a frustração e a dor, bem como ajudam a acolher a alegria, a verdade, os paradoxos, as divergências e as diferentes visões de mundo. Em suma, elas têm como objetivos principais os seguintes pontos:

  1. ajudar na segurança da comunidade escolar, pois têm estratégias que constroem relacionamentos e capacitam todos da escola para assumirem a responsabilidade pelo bem-estar dos seus membros;
  2. desenvolver competências nas pessoas, pois aumentam habilidades pró- sociais daqueles que prejudicaram outros, ajudando no fortalecimento da personalidade de cada um;
  3. ajudar na tomada de decisões conjuntas;
  4. trabalhar valores humanos essenciais, tais como: participação, respeito, responsabilidade, honestidade, humildade, interconexão, empoderamento e solidariedade, como veremos adiante;
  5. restaurar aquela relação afetada pelo conflito, se possível com a

reparação do dano causado à vítima;

  1. desejam partilhar dificuldades, aprender uns com os outros e trabalhar em conjunto;
  2. responsabilização: as práticas restaurativas permitem que os infratores prestem contas àqueles a quem prejudicaram, habilitando-os a repararem, na medida do possível, os danos causados.

De acordo com Mendes (2021, p. 134), alunos que se sentem seguros e respeitados têm melhor desempenho acadêmico, o que evidencia a interconexão entre o bem-estar emocional e o sucesso escolar.

A escola também registrou um impacto positivo nas relações entre a comunidade escolar e as famílias. A mediação de conflitos estendeu-se para além das salas de aula, influenciando positivamente as interações familiares. Pais e responsáveis são convidados a participar de algumas sessões de mediação, o que ajuda a fortalecer as relações familiares e escolares. Essa extensão do programa para a comunidade é um exemplo claro de como as escolas podem atuar como centros de transformação social.

 

2.1 Desenvolvimento Socioemocional: Construindo Competências para a Convivência Pacífica

 

O crescimento socioemocional no ambiente escolar é essencial, atuando como base para formar pessoas que possam interagir de maneira saudável e respeitosa. A importância desse desenvolvimento está na sua capacidade de equipar os estudantes com habilidades fundamentais, como empatia e autocontrole, que são vitais para evitar a violência e promover uma convivência harmoniosa. Ao incorporar o desenvolvimento socioemocional nos currículos escolares, as instituições de ensino contribuem consideravelmente para o bemestar e o sucesso dos alunos, tanto na escola quanto em suas vidas pessoais.

Por meio do cultivo de habilidades socioemocionais, os estudantes aprendem a lidar com suas emoções, a compreender os sentimentos dos outros e a se comunicar de forma eficaz. Essas habilidades permitem que os alunos enfrentem desafios e resolvam conflitos de maneira construtiva e pacífica. Escolas que adotam programas focados nessas competências observam uma diminuição nos casos de bullying e outras formas de violência, pois os estudantes estão mais preparados para negociar e mediar disputas sem recorrer à agressão.

A importância dessas habilidades vai além da prevenção de comportamentos inadequados, tendo um impacto positivo na saúde mental dos alunos. Programas que se concentram no desenvolvimento socioemocional estão ligados a melhorias no desempenho acadêmico, já que estudantes emocionalmente saudáveis têm maior capacidade de concentração e participação em sala de aula. Além disso, a habilidade de lidar com suas emoções e interações sociais de maneira eficaz pode reduzir o estresse e aumentar a resiliência diante de situações desafiadoras.

A implementação eficaz desses programas demanda treinamento adequado dos educadores, que devem estar preparados para ensinar e exemplificar essas habilidades em sala de aula. A formação contínua dos professores é crucial para que eles possam guiar os alunos no desenvolvimento de suas competências socioemocionais, oferecendo apoio e feedback apropriados. Isso envolve não apenas capacitação em técnicas pedagógicas, mas também conscientização sobre a importância dessas habilidades no desenvolvimento integral dos estudantes.

Além de capacitar educadores, é fundamental que as escolas envolvam as famílias e a comunidade no desenvolvimento socioemocional dos alunos. Parcerias entre escolas e famílias podem criar um ambiente mais coeso e um suporte mais consistente para os alunos, tanto em casa quanto na escola. Essa colaboração ajuda a reforçar o aprendizado socioemocional, tornando-o mais significativo e duradouro para os estudantes.

Por fim, avaliações regulares dos programas de desenvolvimento socioemocional são necessárias para assegurar sua eficácia e adaptá-los às necessidades dos alunos. Essas avaliações podem fornecer insights valiosos sobre como aprimorar a implementação das competências ensinadas e como elas estão impactando o ambiente escolar e o desenvolvimento dos alunos. De acordo com Oliveira (2021, p. 158), escolas que adotam uma abordagem sistemática para avaliar e melhorar seus programas socioemocionais tendem a observar avanços mais significativos na saúde emocional e comportamental de seus estudantes.

Essas estratégias demonstram como o desenvolvimento socioemocional é crucial para criar ambientes educacionais seguros e acolhedores, onde todos os estudantes têm a oportunidade de se desenvolver e prosperar. A integração dessas habilidades nos currículos escolares não apenas prepara os alunos para desafios acadêmicos, mas também para interações sociais saudáveis e eficazes, essenciais para viver em uma sociedade pacífica e produtiva.

A educação voltada para a paz deve ser compreendida como um processo ininterrupto, que ultrapassa ações esporádicas e inclui tanto a capacitação dos educadores quanto o envolvimento ativo dos alunos e suas famílias. É essencial incorporar ao currículo escolar tópicos como direitos humanos, diversidade, respeito pelas diferenças culturais e técnicas de resolução de conflitos, promovendo o desenvolvimento de competências socioemocionais e de cidadania. No entanto, estabelecer uma cultura de paz enfrenta desafios significativos. A resistência a mudanças, a insuficiente preparação dos educadores para gerenciar conflitos de forma eficaz, e a falta de recursos e treinamentos são obstáculos frequentes. Ademais, questões externas, como a violência social, a desigualdade econômica, e a ausência de políticas públicas eficazes que assegurem inclusão e equidade nas escolas, frequentemente afetam a qualidade do ambiente escolar, dificultando a criação de um clima pacífico.

 

2.2 Cultura de Paz no Contexto Escolar: Práticas e Desafios

 

A filosofia educacional conhecida como cultura de paz busca criar um ambiente escolar pautado no respeito mútuo, na tolerância e na não-violência. A implementação desta filosofia encara tanto desafios práticos quanto teóricos, mas também oferece estratégias inovadoras e tem impactos positivos na comunidade escolar. As ações incluem a integração de valores de paz no currículo, a realização de oficinas para resolução de conflitos e o desenvolvimento de programas de mediação entre os estudantes.

Implementar essas iniciativas é uma tarefa complexa, especialmente em uma escola com ampla diversidade cultural e socioeconômica. Os principais desafios são a resistência à mudança por parte de alguns educadores e a dificuldade de engajar os pais e a comunidade local. Além disso, a falta de recursos financeiros para manter programas contínuos pode restringir a capacidade da escola de sustentar essas iniciativas a longo prazo. Conforme Almeida (2022, p. 76), as escolas enfrentando tais desafios precisam de um compromisso renovado de todos os envolvidos para superar essas barreiras.

Para enfrentar esses desafios, é necessário estabelecer parcerias com organizações locais e internacionais que promovem a educação para a paz. Essas colaborações trazem novos recursos e metodologias para a escola e oferecem formação contínua para os docentes. As formações concentram-se em ensinar estratégias de comunicação assertiva e técnicas de negociação, que são essenciais para a resolução de conflitos no ambiente escolar. De acordo com Barbosa (2023, p. 112), capacitar educadores é crucial para transformar teorias de paz em práticas concretas dentro das escolas.

Uma das práticas mais eficazes é a criação de comitês de paz formados por alunos, que atuam como mediadores de conflitos entre seus colegas. Esses grupos não apenas ajudam a resolver disputas de forma pacífica, mas também empoderam os alunos, dando-lhes um papel ativo na gestão do clima escolar. Essa abordagem promove uma cultura de paz duradoura, pois os alunos se tornam defensores e divulgadores desses valores. Costa (2024, p. 130) destaca que a participação ativa dos alunos é essencial para o sucesso de qualquer programa de cultura de paz nas escolas.

De acordo com Pereira (2017, p. 134), um ambiente positivo não só melhora o bem-estar dos estudantes, mas também potencializa o desempenho acadêmico, uma vez que um ambiente sereno favorece o aprendizado. A escola implementou um sistema de monitoramento e avaliação para medir o impacto das práticas de cultura de paz, que permite identificar sucessos e áreas que precisam de ajustes ou reforços, uma estratégia essencial para garantir que as atividades sejam relevantes e eficazes, ajustando-as de acordo com as necessidades dos alunos e da comunidade escolar, como salienta Silveira (2019, p. 145).

A longo prazo, os esforços para cultivar uma cultura de paz têm o potencial de não só melhorar o ambiente escolar, mas também de influenciar positivamente a comunidade mais ampla. Como Costa (2023, p. 156) aponta, a escola se torna um exemplo para outras instituições educacionais que buscam promover a paz e a não-violência como pilares de sua missão educativa. Em conclusão, apesar dos desafios significativos, as oportunidades e os benefícios de promover uma cultura de paz nas escolas são enormes, e com comprometimento contínuo, formação adequada e envolvimento da comunidade, é possível transformar os ambientes educacionais em espaços de aprendizagem colaborativa e respeitosa, onde todos os membros são valorizados e a paz é vivida diariamente.

 

 2.3 Políticas Públicas e a Prevenção da Violência Juvenil: Impactos no Contexto Escolar

 

A violência é um fenômeno de difícil conceituação, porém está ligada a atitudes ou ações de omissões e negligências cometidas por grupos, classes, indivíduos às minorias de poder como mulheres, negros, idosos, crianças, etc., que acarretam em danos tanto físicos quanto emocionais e morais.

De acordo com Boyes-Watson (2011, p. 269):

 

Durante a adolescência, a conexão emocional com os outros é tão crítica quanto o é para uma criança pequena. A tarefa de desenvolvimento dos anos da pré-adolescência é estabelecer um sentido de diligência ou a crença interior de que se é capaz de começar uma tarefa e cumpri-la. A escola é o local primário para esta experiência. Os jovens que batalham na escola com poucos sinais de sucesso, buscam caminhos alternativos para sua realização, especialmente aqueles que sejam valorizados pelos seus pares. De certa forma, eles se dedicam a “serem bons em serem maus.” Para as jovens, a atividade sexual encerra o fascínio da intimidade, de ser cuidada, de ser amada. Sem a proteção de mães e pais responsáveis, as jovens ficam altamente vulneráveis a experiências de vitimização e exploração sexual, particularmente por homens mais velhos dentro do espaço doméstico ou da família. A experiência da exploração pode traduzir-se em um sentimento subjetivo de inutilidade e a crença de que nasceu para ser usada pelos outros.

 

Pode-se dizer que o ato de violência, geralmente, atenta contra a liberdade de outrem.  De acordo a definição do Dicionário Houaiss (2009, p.1948)

“violência seria ato de violento, ato de empregar a força física, ou intimidação moral […]”.

Minayo (2009, p. 135) nos traz um conceito acerca de violência:

 

Um fenômeno humano, social e histórico que se traduz em atos realizados, individual ou institucionalmente, por pessoas, famílias, grupos, classes e nações, visando prejudicar, ferir, mutilar ou matar o outro, física, psicológica e até espiritualmente. No conceito de violência está incluída a ideia de omissão, que aceita e naturaliza maus tratos ao outro individual ou coletivo.

 

Na sociedade a violência se apresenta como um meio de legitimação de poder, uma vez entendido que as relações entre homens e mulheres são permeadas por relações de poder desiguais que caminharam rumo à discriminação da mulher. Sendo assim, a violência fica entendida como meio de dominação que segundo Herman (2012) apud Souza (2013, p.17) “reduz o outro à impossibilidade de expressar sua vontade”.

Ainda nesse sentido, Chauí (2006) expõe:

 

[…] a sociedade brasileira é marcada pela estrutura hierárquica do espaço social que determina a forma de uma sociedade fortemente verticalizada em todos os seus aspectos: nela: as relações sociais e intersubjetivas são sempre realizadas como relação entre um superior, que manda, e um inferior, que obedece. As diferenças e assimetrias são sempre transformadas em desigualdade que reforçam a relação mando-obediência. O outro jamais é reconhecido como sujeito de direitos […] (Chauí, 2006, p. 89).

 

Assim, através do exposto a autora traz elementos que são fundamentais ao entendimento de como a violência se perpetua e não pareça algo passível de transformação.

Pode-se, portanto, inferir que a violência na contemporaneidade está bastante enraizada no dia-a-dia visto que as relações baseadas na violência parecem ter sido naturalizadas, ou seja, aceitas, não nos causando mais espanto ou chamando nossa atenção para tais acontecimentos.

Desse modo, está presente em qualquer cultura ou grupo, onde tanto o agressor quanto as vítimas pertencem a todas as classes sociais em qualquer que seja sua faixa etária, ou seja, a violência é vivenciada em todo e qualquer lugar não se limitando à raça, classe social, religião, idade, país, etc. Caracterizada como uma manifestação da questão social, grave e delicada, pode ser física, psicológica, sexual, intrafamiliar, ou seja, aparecendo de diversas maneiras e formas (Souza, 2013).

A violência é um dos meios de se resolver situações de conflito, até mesmo no âmbito privado, onde o indivíduo considera como um espaço onde nada diz respeito à sociedade, e nem mesmo ao Estado, dessa forma, este espaço se configura também como espaço destinado a violência (Souza, 2013).

Nos últimos anos percebe-se que tem sido tudo completamente diferente e principalmente com relação à violência o índice tem aumentado bastante no Brasil. Assim, está relacionada e atinge diretamente as famílias no geral, como crianças mulheres e idosos, além disso, já foram feitos vários projetos para que possa fazer com que a violência acabe no Brasil ou pelo menos diminua.

A violência não é uma, é múltipla abrangendo várias formas de ações. O termo é de origem latina e vem da palavra “vis”, que significa “força” e se alude às noções de constrangimento e de uso da desigualdade física sobre o outro conforme dispõe Minayo (2003, p. 25):

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002) conceitua a violência como o “uso intencional da força ou poder em uma forma de ameaça ou efetivamente, contra si mesmo, outra pessoa ou grupo ou comunidade, que ocasiona ou tem grandes probabilidades de ocasionar lesão, morte, dano psíquico, alterações do desenvolvimento ou privações.

 

Para Minayo e Souza (1997, p. 513–531) a violência pode ser definida como “Qualquer ação intencional, perpetrada por indivíduo, grupo, instituição, classes ou nações dirigidas a outrem, que cause prejuízos, danos físicos, sociais, psicológicos e (ou) espirituais. Neste sentido, Krug (2002) confirma conceituando semelhantemente como o Autor citado acima que:

 

A violência é definida como o uso intencional da força ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação (Krug et al., 2002, p. 13).

 

É importante demonstrar também uma conceituação que Silva, (2005, p.

17) apresenta acerca de violência, dispondo que:

 

A violência possui ligações intensos com a desigualdade entre as classes e a exclusão social, desse feitio, seu enfrentamento não pode eximir-se da melhora do sistema de proteção social, do fortalecimento das políticas sociais e da garantia de direitos.

 

O conceito de violência para Arendt é como sendo uma lógica instrumental. A violência, sendo instrumental por natureza, é racional à medida que é eficaz em conseguir o fim que deve justificá-la. E posto que, quando se atua, nunca se compreende com certeza quais serão os efeitos eventuais do que se está fazendo (Arendt, 1994).

 

A violência se opõe à ética porque trata seres racionais e sensíveis, dotados de linguagem e de liberdade como se fossem coisas, isto é, irracionais, insensíveis, mudos, inertes ou passivos. Na medida em que a ética é inseparável da figura do sujeito racional, voluntário, livre e responsável, tratá-lo não como humano e sim como coisa, fazendo-lhe violência nos cinco sentidos em que demos a esta palavra (Chauí, 1998, p. 28).

Para Chauí a violência trata de uma oposição a ética, da ausência de respeito com os outros, tratando-os como coisas, objetos e não como seres humanos (Chauí, 1998).

O surgimento do sistema educacional trouxe novas percepções de mundo para os membros da sociedade, pois o ensino interfere positivamente na conduta da humanidade, direciona para o crescimento pessoal e intelectual entre outras inúmeras vantagens. Paralelamente, o professor como agente do processo ensino aprendizagem com os alunos, desempenha papel fundamental através de métodos e estratégias que auxiliam o aluno a aprender.

Por sua vez, é primordial que exista uma relação harmoniosa na sala de aula, baseada na ética e respeito entre as partes. Porém, continuamente surgem ocorrências de violência dentro da escola, onde muitas vezes, o professor é a vítima (Machado, 2019).

A escola foi durante muitos anos um ambiente seguro onde somente se transmitia o conhecimento, por meio da assimilação automática que se transformava na estagnação e repressão. Dentro desse contexto, havia, também, a questão dos conflitos entre adolescentes, jovens e até adultos. Entretanto, a escola não se envolvia, levando com isso a continuação desses conflitos fora do ambiente escolar (Ribeiro, 2022).

 

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O estudo demonstrou que a integração de estratégias psicológicas, programas de educação emocional e o engajamento da comunidade escolar são fundamentais para a eficácia das iniciativas de prevenção à violência.

Os resultados mostraram que os programas de segurança e educação implementados na escola são eficazes na redução de incidentes violentos e na promoção de um ambiente mais seguro e saudável. A participação da comunidade escolar, especialmente dos pais, é essencial para garantir a sustentabilidade das ações. Isso sugere que as escolas precisam investir em estratégias que envolvam ativamente as famílias nas dinâmicas educacionais, criando uma rede de apoio contínuo para os estudantes. A mobilização da comunidade escolar como um todo pode fortalecer os resultados dos programas, tornando-os mais eficazes e sustentáveis ao longo do tempo.

Além disso, os estudos indicaram que as iniciativas da escola, como rodas de conversa, oficinas temáticas e apoio psicológico, podem contribuir para um ambiente mais seguro e colaborativo, com uma diminuição nos casos de bullying e maior engajamento dos alunos. Contudo, a pesquisa também aponta desafios, como a formação insuficiente dos educadores e a participação limitada das famílias e da comunidade, o que afeta a sustentabilidade das ações preventivas. Conclui-se que a escola desempenha um papel importante na prevenção da violência juvenil, mas a eficácia de suas ações pode ser aumentada através de estratégias integradas que incluam mais formação contínua para os profissionais, parcerias com a comunidade e um fortalecimento do diálogo com as famílias.

 

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