DIGITAL TECHNOLOGIES AND TEACHING IN YOUTH AND ADULT EDUCATION
AUTORES: Jacinto Lúcio Rodrigues da Silva¹
Lenir Bezerra da Silva 2
Radamese Lima de Oliveira³
¹ Mestrando em Ciências da Educação
² Especialista em Educação Especial
³ Doutor em Ciências da Educação pela FICS
RESUMO
A Educação de Jovens e Adultos é composta por pessoas que, por muitos motivos, não completaram a educação básica, e levam com eles as mais diversas experiências. Nessa configuração, os recursos das tecnologias digitais podem aproximar o conhecimento escolar e os conhecimentos pré-existentes. O uso correspondente desses recursos pode engajá-los, promover a autonomia e valorizar o que eles chegam, promovendo aprendizagens mais adequadas. Discutir as tecnologias digitais na EJA é uma forma de repensar as práticas pedagógicas para assegurar iguais oportunidades e melhorar o processo educativo. O problema central é como essas tecnologias podem ser incorporadas ao ensino na EJA. Essa pesquisa é embasada em livros e artigos de autores que discutem a EJA, recursos didáticos e inclusão. Os resultados demonstram que pré-organizada as ferramentas digitais tornam-se mais interessante para levantamento em aula e dá base para a construção de aprendizagens próximas da realidade dos educandos. Conclui-se que discutir a utilização das tecnologias digitais na EJA representa repensar as práticas pedagógicas face à igualdade de oportunidades e à qualidade do processo educativo.
Palavras-Chave: Educação de Jovens e Adultos; Tecnologias Digitais; Prática Pedagógica; Inclusão Educacional.
ABSTRACT
Youth and Adult Education is made up of individuals who, for many reasons, did not complete basic education and who bring with them a wide range of life experiences. In this context, digital technologies can help bridge the gap between school knowledge and learners’ prior knowledge. The appropriate use of these resources can foster engagement, promote autonomy, and value the knowledge students already possess, leading to more meaningful learning. Discussing digital technologies in Youth and Adult Education is a way to rethink pedagogical practices in order to ensure equal opportunities and improve the educational process. The central problem addressed is how these technologies can be incorporated into teaching in Youth and Adult Education. This research is based on books and articles by authors who discuss Youth and Adult Education, teaching resources, and inclusion. The results show that when digital tools are well planned and organized, classes become more engaging and provide a foundation for building learning experiences that are closer to students’ realities. It is concluded that reflecting on the use of digital technologies in Youth and Adult Education implies rethinking pedagogical practices in light of equal opportunities and the quality of the educational process.
Keywords: Youth and Adult Education; Digital Technologies; Pedagogical Practice; Educational Inclusion.
1 INTRODUÇÃO
No Brasil, a Educação para Jovens e Adultos (EJA) é uma política pública exclusivamente valorosa para a formação de sujeitos que não realizaram a formação na própria idade. Por outro lado, o Estado está sendo exposto, a passo acelerado, a mudanças nas tecnologias digitais configuradoras do trabalho, da socialização e da apropriação do conhecimento. No entanto, essa transformação ocorre de forma desigual entre regiões, redes de ensino e sujeitos sociais. A análise aqui adiante se torna, portanto, obrigatória para se compreender quais caminhos pode vir a seguir as tecnologias nessa modalidade de EJA.
Questiona-se: Como as tecnologias digitais podem ser utilizadas no ensino da EJA de modo a se tornarem relevantes e inclusivas para essa clientela?
A tese inicial é a de que o planejamento da inserção das tecnologias digitais na educação da EJA pode proporcionar aprendizados mais significativos. Pressupõe-se que, com orientação adequada, elas podem despertar maior interesse nos alunos, proporcioná-los maior autonomia e também maior participação. Espera-se que o uso crítico dos recursos digitais possa aproximar o que se aprende na escola das suas experiências de vida. Contudo, para este propósito, é preciso que haja formação dos professores e políticas públicas estruturais que sustentem esta ação. Sem isso, o potencial das tecnologias na educação pode ser limitado.
O objeto central, busca discutir as tecnologias digitais na EJA como forma de repensar as práticas pedagógicas para assegurar iguais oportunidades e melhorar o processo educativo. Os alvos delineados deste levantamento são:
- Explorar as estratégias de ensino que empregam ferramentas digitais de forma conectada à realidade desses estudantes.
- Compreender como os profissionais da educação obtêm êxito em incentivar a utilização de ferramentas tecnológicas com vistas à aprendizagem.
- Considerar o vínculo entre tecnologias digitais, inclusão social e a permanência dos estudantes na EJA.
Por sua vez, esta pesquisa propõe iniciar um debate acerca das tecnologias digitais na Educação de Jovens e Adultos (EJA), no Brasil. Ao centrar-se na caracterização dos estudantes da EJA, tal investigação pode colaborar para práticas pedagógicas inclusivas, bem como para um debate acerca da escola diante do novo perfil das tecnologias. Os resultados podem subsidiar a formação de professores, de gestores e de formuladores de políticas, fortalecendo a EJA como espaço de formação da cidadania e da liberdade.
2 TECNOLOGIAS DIGITAIS COMO CAMINHO PARA A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), a sala de aula é repleta de histórias e de saberes e experiências diversas. Utilizar as tecnologias digitais pode ser uma excelente estratégia para ensinar e aprender, estabelecendo a ligação entre o que se ensina e a própria vida do estudante. Permitem as tecnologias abertas ao conhecimento e cada vez mais aulas direcionadas à vida real e com o envolvimento de todos os alunos (Moran, 2015, p. 41).
Numa EJA, o que se aprende faz sentido quando se realiza o que os aluno 37 já sabe. As tecnologias digitais favorecem a articulação entre o que vivem na vida prática e o que se aprende na escola, intensificando o interesse dos alunos (Bacich, 2018, p.27) explica que “as tecnologias ampliam os espaços de aprendizagem e possibilitam que o estudante exerça um papel significativo na construção do que sabe”, promovendo a inclusão dos estudantes.
De acordo com o autor, a utilização de plataformas de estudos, aplicativos, vídeos e redes sociais, entre outros, permeia novas possibilidades de ensinar na EJA. Com tais ferramentas, a dinâmica das aulas profissionais pode ser reformulada, respeitando o ritmo e os modos de cada estudante de absorver o conhecimento. Valente (2017, p. 63) ainda expõe que, quando pensadas para a escola, as tecnologias não propõem apenas uma ferramenta, mas um modo de fazer o estudante pensar, se tornar autônomo e de lhe ensinar a questionar o que aprende.
O professor é essencial para que as tecnologias contribuam de fato para a aprendizagem. Para a EJA, o professor atua como um intérprete, ao construir interpretações para ligar as tecnologias ao conhecimento que o estudante deve aprender e aos objetivos da aula. Kenski (2016, p. 89) ressalta que “o professor é a peça fundamental para colocar as tecnologias na sala de aula”, que pode transformar informações em saberes do dia a dia do estudante.
Também, faz-se relevante ressaltar que o acesso às tecnologias é um direito de todos na educação. Muitos estudantes da EJA não tiveram acesso a essas tecnologias até o momento, portanto a escola assume uma importante responsabilidade quanto a este acesso. Contudo, ensinar o uso das tecnologias se tornou um meio de aprender para o viver e na sociedade e como cidadãos. O uso das tecnologias deve ser consciente, ético e reflexivo no cotidiano (Rojo, 2019, p. 112).
As ferramentas digitais têm favorecido a colaboração pedagógica, favorecendo a troca de saberes entre alunos da EJA, sendo que, quando utilizados ambientes virtuais de aprendizagem, discussões e trabalhos em grupo mediados pela tecnologia, favorecem também o aprendizado em grupo e o senso de comunidade. Costa e Lopes (2020, p. 54) indicam que o aprendizado colaborativo por meio de tecnologia fortalece a construção conjunta do conhecimento e valoriza as vivências de cada um.
Na EJA, a elasticidade das tecnologias digitais é expressiva, principalmente para alunos que concorrem estudos, trabalho e família. O acesso a materiais digitais e o desenvolvimento de atividades que podem ser feitas em horários diversos aumentam as chances de aprendizado e diminuem os problemas de tempo e de lugar. Moran (2020, p.76) defende que a adaptabilidade está entre as principais vantagens das tecnologias na educação contemporânea.
A implementação das tecnologias digitais na EJA requer um planejamento pedagógico e a atualização constante dos professores. Na falta de um objetivo pedagógico claro, as próprias tecnologias podem ser utilizadas superficialmente e sem propósitos. Bacich e Holanda (2021, p. 38) alertam que não é a tecnologia que transforma a educação, mas como se dá o seu direcionamento para o ensino.
A capacitação dos professores para o uso pedagógico das tecnologias deve atender às suas necessidades específicas em EJA, no que tange aos contextos culturais dos educandos. É imperativo que, para formular experiências de ensino significativas e pertinentes ao mundo dos alunos, os professores desenvolvam habilidades digitais para isso. Silva (2018, p. 101) coaduna com isso: a capacitação de professores deve estabelecer conexões entre teoria, prática e tecnologia, de modo que um dissemine do que de fato se passa na sala de aula.
As tecnologias digitais ajudam a formar a independência dos alunos da EJA, promovendo a busca ativa por informação e a construção do conhecimento ao longo da vida. O fácil acesso a diferentes fontes do saber estimula o pensamento crítico e reflexivo dos educandos. Freitas (2022, p. 59) diz que a independência se torna significativa na medida em que o aluno se sente uma parte importante no processo do ensino.
O ensino que é mediado por tecnologias aproxima o conteúdo escolar das situações do cotidiano dos alunos da EJA. Com essa aproximação, o ensino torna-se útil e relevante, conjugando a aprendizagem escolar com a vivência dos alunos. Rocha (2017, p. 84) frisa que a relação com a realidade é uma condição sine qua non para um aprendizado que faz sentido, principalmente na educação de jovens e adultos.
As tecnologias digitais, quando integradas de forma crítica, planejada e humanizada, são um importante caminho para a promoção da aprendizagem significativa na EJA. Elas potencializam o protagonismo dos alunos, fortalecem a inclusão digital e contribuem para uma educação mais democrática e emancipadora. Assim, reafirma-se a necessidade de políticas públicas, formação docente e práticas pedagógicas comprometidas com uma educação transformadora e socialmente relevante.
2.1. Planejamento Pedagógico e Uso Crítico das Tecnologias no Contexto da EJA
No que tange à Educação de Jovens e Adultos, o planejamento pedagógico desempenha a função de assegurar que as tecnologias digitais assegurem o aprendizado. Com base na pluralidade dos alunos da EJA, o planejamento deve ser flexível, adaptável e sensível às suas histórias. Desta forma, as tecnologias devem ser empregadas de modo reflexivo, em função dos objetivos de aprendizagem e do que os alunos precisam realmente (Moran, 2015, p.43).
Utilizar as tecnologias criticamente é saber que não são neutras, portanto, é necessário ter um fim claro e um pensar constante. Planejar o uso das tecnologias para a EJA é querer selecionar as ferramentas que falem ao idioma dos alunos e ajudem a construir o conhecimento. Kenski (2016, p.91) considera que “as tecnologias devem participar do plano de ensino para que se tornem significativas”, para que não sejam ações avulsas ou apenas para que se utilizem a ferramenta.
No caso da EJA, o plano de ensino com as tecnologias tem a função de valorizar o saber prévio dos alunos, promovendo situações de ensino que adéquem a teoria com a prática. As ferramentas digitais poderão potencializar esta adequação uma vez que admitem aproximações entre o cotidiano dos alunos, o que aprendem na escola. Para Valente (2017, p.67), as tecnologias “ampliam as possibilidades de aprender quando usadas par ajudar a pensar” promovendo a autonomia e o papel ativo do aluno.
A escolha de como ensinar constitui um ponto muito importante dentro do plano de ensino com as tecnologias. As boas maneiras de ensinar devem ajudar o aluno a se fazer presente. Bacich (2018, p.29) afirma que “o plano de ensino deve ter o aluno dentro dele, servindo-se das tecnologias digitais”, ainda mais com a EJA, em que o interesse é fundamental para permanecer e obter sucesso escolar.
O professor é muito importante nesta caminhada. Ele deve planejar, suportar e verificar como as tecnologias são utilizadas, cuidando para que elas não acentuem os problemas sociais. Na EJA, o professor procura auxiliar o aluno a obliterar as informações e transformá-las em vala para construir conhecimento. Moran (2020, p. 78) assegura que “o professor continua sendo quem orienta o aprendizado, mesmo que com as tecnologias”.
O planejamento deve ainda considerar a inclusão digital no processo educativo. Muitos estudantes da EJA não tiveram ou tiveram acesso reduzido às tecnologias ao longo de sua trajetória de vida, o que exige propostas pedagógicas que promovam o uso consciente e gradual das tecnologias. Como enuncia Rojo (2019, p. 114) “O uso crítico das tecnologias envolve letramentos digitais que possibilitam a participação social”, ampliando o exercício da cidadania.
Ademais, o planejamento pedagógico com tecnologias da EJA deve ser constantemente avaliado e modificado. A escuta dos estudantes, a observação das práticas e a reflexão coletiva contribuem para aprimorar as tecnologias utilizadas. Como enfatiza Kenski (2016, p. 95), “o planejamento não é estático […], ele é um processo dinâmico que se reconstrói a partir das experiências vividas na sala de aula.”
Nesse hiato, o planejamento pedagógico agregado ao uso crítico das tecnologias, no cenário da EJA, constitui um caminho para uma educação mais humanizada, democrática, significativa, pois quando bem planejadas, as tecnologias estreitam o laço entre a escola e a realidade social das educandos, promovendo aprendizagens pertinentes e emancipadoras. Reafirma-se assim a importância de práticas pedagógicas conscientes, comprometidas com formação integral dos sujeitos da EJA.
3 INCLUSÃO DIGITAL E PERMANÊNCIA ESCOLAR NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
Mediante da tarefa desafiadora de garantir a permanência dos alunos no ambiente educacional, torna-se fundamental a inclusão das tecnologias digitais no espaço da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Neste sentido, reconhece-se a importância social da escola como território privilegiado de aprendizagem e de contato com os recursos tecnológicos, possibilitando aos discentes o domínio de ferramentas digitais imprescindíveis a sua participação social e educacional contemporânea. Assim, a inserção no mundo digital vai além do aprendizado técnico e torna-se um processo formativo reafirmador do direito à educação e promotor da inclusão educacional e social (Pretto, 2017, p. 52).
Para que o aluno da EJA permaneça na escola, é preciso que a instituição compreenda qual a demanda que o aluno possui nos dias atuais. Caso a escola não se utilize de uma didática, que se aproxime do uso do mundo digital, o aluno pode se desinteressar pela escola, abandonando os estudos. Selwyn (2017, p.88) diz que se a escola ignora a tecnologia, a distância entre o que se aprende na escola e a vida dos alunos aumenta e, portanto, o que é aprendido se torna menos útil.
Assim, a entrada no mundo digital deve ser utilizada como uma forma de fazer com que o aluno possa vivenciar a relação com a escola. Quando a EJA possibilita o uso consciente das tecnologias, ela se torna uma aliada para que o aluno se perceba como um agente ativo do aprendizado. Segundo Bonilla (2018, p. 64), a entrada no mundo digital deve ser relacionada ao desenvolvimento do pensamento crítico, não ao uso das ferramentas.
A conexão entre a inserção no meio digital e a permanência nos estudos também tem um caráter afetivo e está relacionada à imagem que os alunos têm de si mesmos. Muitos alunos da EJA estiveram excluídos tanto da educação quanto do meio social, por isso a escola deve dar espaço para eles entrarem e se sentirem parte da instituição. As tecnologias digitais podem ajudar nisso, melhorando a comunicação, a colaboração e o reconhecimento da experiência dos alunos (Warschauer, 2019, p. 41).
Ainda, a inserção no mundo digital na EJA propõe abrangências do ensino em mais espaços e horários, o que favorece a permanência do aluno nos estudos. O acesso a ambientes virtuais, materiais digitais ou canais de comunicação pode minimizar muitas das dificuldades que tradicionalmente afligiram a permanência escolar. Castells (2018, p. 119) ressalta que a sociedade interligada pela internet transforma a aprendizagem, o trabalho e as relações, e a educação precisa acompanhar estas transformações.
Entretanto, essa inserção no mundo digital precisa ser debatida com cautela. Apenas colocar tecnologias na escola não mantêm os alunos, mas é necessário discutir as condições financeiras, culturais e pedagógicas envolvidas. Pretto (2017, p. 58) considera que a tecnologia possui valor educativo a partir do momento em que integra um plano pedagógico, e persegue a inclusão social.
Outro aspecto de importante relevância é o enfrentamento das desigualdades de acesso à tecnologia que afetam os alunos da EJA. Muitos alunos não tem internet ou equipamento tecnológico em casa, o que demonstra como a escola é importante para equilibrar as oportunidades de todos. Warschauer (2019, p. 73) afirma que a falta de acesso ao mundo digital, também significa exclusão social e retira educacionalmente seu futuro escolar.
Para a continuidade de estudantes da EJA, é preciso garantir que o aprendizado que ocorrerá seja de relevância. A inclusão digital aproxima o currículo da realidade dos estudantes e potencializa seu interesse. Como assinalou Selwyn (2017), metodologias de ensino associadas à cultura digital tendem a melhorar a maior participação e a frequência.
A formação de professores é fundamental. Para que a inclusão digital cumpra um papel para a permanência na EJA, os professores precisam saber fazer uso das tecnologias de maneira consciente e educacional. Bonilla (2018) também acentua que o investimento em tecnologias deve encorajar um julgamento sobre o significado educativo do digital, principalmente quando se trata de educar os estudantes com deficiência.
A inclusão digital pode favorecer a autonomia dos estudantes da EJA, impulsionando suas motivações de autoformação e aprendizagem continuada, com isso contribuindo para a construção de trajetórias educacionais mais assertivas. Castells (2018) assevera que a autonomia informacional é fundamental para ser parte significativa da sociedade contemporânea.
A frequência escolar é maior quando se utilizam as tecnologias digitais, pois se valorizam os saberes dos estudantes. A chance de criar conteúdo, a troca de experiências e a construção de saberes compartilhados tornam os estudantes ainda mais próximos da escola. Pretto (2017) destaca que produzir e trocar saberes é central para a educação democrática.
Neste sentido, a inclusão digital desempenha um papel importante para que práticas pedagógicas mais humanas sejam criadas na EJA. Ao considerar a história, as dificuldades e o potencial dos estudantes, a escola se torna capaz de diminuir a evasão e aumentar o interesse pelo aprendizado. Warschauer (2019) observou que a tecnologia pode contribuir grandemente para promover a igualdade na educação.
Assim, a inclusão digital, juntamente com políticas de ensino adequadas, é crucial para a permanência da EJA. Mais do que assegurar o acesso à tecnologia, é preciso incentivar um uso consciente, relevante e socialmente responsável. Dessa forma, a EJA poderá continuar cumprindo o seu papel de promover inclusão, emancipação e transformação social.
3.1. Práticas Docentes Mediadas por Tecnologias Digitais na Formação de Sujeitos da EJA
Na modalidade de Educação para Jovens e Adultos (EJA), as práticas de ensino a partir das tecnologias digitais representam uma condição fundamental para formação integral dos educandos. É necessário respeitar as características sociais, culturais e históricas de cada um. As tecnologias aqui não são somente ferramentas, mas instrumentos de formação do cidadão crítico e autônomo. Moran (2015), assegura que as tecnologias devem ser utilizadas com fins pedagógicos claros, não só por utilizá-las. Para ele, “as tecnologias ampliam as chances de aprender, desde que sejam partes de projetos educativos sérios” (p. 42). Portanto, na EJA, deve-se garantir a articulação entre as atividades digitais e a vida dos estudantes, de forma que o aprendizado possa ter significação.
O professor tenta dar sentido educativo às tecnologias na escola ao longo de todo o percurso. Para Kenski (2016), o professor contemporâneo precisa ser um mediador, que articule conhecimentos científicos, experiências sociais e tecnologias. Ela argumenta que “ensinar com tecnologias pressupõe uma finalidade pedagógica associada a um entendimento do contexto social dos alunos” (2016, p. 67). No âmbito da EJA, essa finalidade e esse entendimento são ainda mais significativos, uma vez que os alunos trazem saberes oriundos do trabalho, da família e da comunidade que devem ser valorizados.
As práticas pedagógicas implicadas no uso de tecnologias digitais potencializam o melhor sentido do ensino, estimulando as atividades participativas e de diálogo. Valente (2018) menciona que as tecnologias seriam capazes de criar ambientes interativos de aprendizado, nos quais os alunos não estariam somente recebendo informações, mas, ao contrário, interagindo ativamente. Segundo Valente, “a tecnologia, quando usada para o bem, serve para a maior autonomia dos alunos” (p. 103). No caso da EJA, isso resulta em ascendência sobre a autoestima dos alunos e, consequentemente, suas melhores chances na sociedade.
Desta feita, as tecnologias digitais promovem o acesso à informação e à produção do conhecimento, possibilitando uma formação cidadã crítica. Segundo Pretto e Pinto (2017), a escola deve trabalhar as tecnologias para aprender a ler o mundo, não simplesmente para reproduzir conteúdos. Para estes autores, “a educação digital precisa formar indivíduos compreensivos, questionadores e transformadores da realidade” (p. 29). Dessa forma, na EJA, as práticas de ensino envolvendo as tecnologias têm um grande peso social, pois propiciam a maior participação dos alunos na sociedade e no acesso à cultura.
A formação dos professores da EJA é uma condição primordial para estas práticas pedagógicas se consolidarem. Para Imbernón (2016), a formação deve contemplar saberes técnicos em tecnologias, mas também a reflexão sobre os impactos pedagógicos, éticos e sociais das mesmas. Para o autor, “a formação continuada deve preparar o professor para lidar com a complexidade da educação atual” (p. 88). Na EJA, esta formação é a chave para o professor saber as dificuldades de acesso às tecnologias e construir práticas de ensino que incluam a todos.
As práticas digitais também possibilitam a construção de novas interações, expandindo os espaços e tempos de aprendizagem. Para Bacich e Moran (2018), as metodologias com tecnologias possibilitam o aprendizado hibridado, integrando atividades presenciais e digitais. Para estas autoras, “a educação hibrida expande os espaços de aprendizagem e flexibiliza os tempos educativos” (p.54). Para EJA, essa flexibilidade é fundamental, já que seus alunos têm compromissos com trabalho, família e deslocamentos.
As atividades de educação mediadas pelas novas tecnologias digitais constituem em favor de processos educativos mais inclusivos, democráticos e socializados. Elas fazem a construção de uma educação que considere os sujeitos da EJA como protagonistas de suas próprias histórias, que apreciem seus saberes e conhecê-las. Para Freitas e Franco (2019), deve-se entender a tecnologia a serviço da educação como a serviço da emancipação humana e não do excluído social. As autoras afirmam que “educar com tecnologias implica compromisso ético com a justiça social” (Freitas; Franco, 2019, p. 141). A mediação pedagógica é, portanto, um instrumento de transformação social.
Consoante se concluiu que as práticas dos docentes mediadas pelas tecnologias digitais, quando se originam em princípios que orientam a pedagogia crítica e humanizadora, preenchem um papel relevante na formação dos sujeitos da EJA como autônomos, críticos e participativos. As práticas também aproximam educação, a cidadania e a inclusão social, possibilitando aprendizagens que vão além dos limites das salas de aula. Assim, a tecnologia, que deixa de ser apenas um recurso didático, e passa a constituir-se um instrumento de formação humana integral, comprometida com os princípios de equidade, democracia e justiça social em educação de jovens e adultos.
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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O artigo visou explorar as tecnologias digitais e sua atuação no processo educativo de jovens e adultos, especificamente, na EJA, com o objetivo de averiguar a repercussão desta em sua formação e no trabalho pedagógico dos docentes. A pergunta da pesquisa foi: De que modo as tecnologias dos professores podem contribuir para uma aprendizagem mais pertinente, crítica e inclusiva para a EJA? Assumiu-se, aqui, que esses jovens apresentariam lacunas de formação e problemas sociais, demandando um ensino que considerasse suas histórias de vida. Buscou-se saber se as tecnologias poderiam ser utilizadas como aliadas no processo de aprendizagem e na permanência desses jovens na escola, a partir de seu uso pedagógico.
Os objetivos teóricos foram cumpridos. A pesquisa conseguiu investigar o que as tecnologias digitais têm de significado para a EJA, qual o papel dos professores nesse contexto e quais as contribuições e desafios das tecnologias no cotidiano da escola. As revelações do estudo demonstraram como as tecnologias podem dar maior voz aos alunos e elevar o potencial de acesso ao conhecimento. Os objetivos foram alcançados, tanto na teoria quanto na análise da EJA.
Os resultados indiciaram que as tecnologias digitais, se aplicadas de maneira programática e adequada ao contexto das aulas, podem proporcionar um aprendizado mais dinâmico e útil. O professor é fundamental para que tais ferramentas não sejam usadas apenas em sua forma técnica, mas também como meios de educar e dar autonomia aos alunos. Os resultados também conversam com o problema de partida da pesquisa, indicando que a tecnologia não transforma a educação a partir do simples fato de estar presente. Para uma educação crítica e que respeita o ser humano, o ponto de partida de que as tecnologias poderiam contribuir para a educação de jovens e adultos se confirmou, desde que fossem utilizadas com consciência e planejamento.
Outro aspecto relevante diz respeito ao potencial das tecnologias digitais para melhorar a participação e autonomia dos estudantes. O apontamento foi de que as tecnologias podem contribuir para a valorização do conhecimento prévio de estudantes da EJA, integrando o saber escolar e o saber dos alunos. O uso das tecnologias nas aulas contribui para a democratização da informação e situada no desenvolvimento das competências necessárias à convivência em sociedade. A tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa na busca por uma educação inclusiva, conectada com a realidade social.
Em função da natureza teórica desta pesquisa, não houve como fazer a análise prática dos dados coletados em campo, nem dos dados obtidos pela coleta via entrevista ou dos relatos de professores e alunos da EJA. Em momento algum, esta discussão contemplou as desigualdades no acesso às tecnologias, sobretudo para as pessoas que se encontram em situação vulnerável socialmente. Estas limitações sinalizam a necessidade de estudos futuros que investiguem a realidade das escolas e dos estudantes da EJA.
As tecnologias digitais podem ser aliadas na educação de jovens e adultos, desde que utilizadas, nas práticas de ensinar, de forma crítica, ética e humanizada. O estudo indicou que é preciso preparar os professores para utilizá-las de forma pautada, bem como desenvolver propostas de ensino que contemplem as características dos alunos. Estabelece-se a expectativa de que esta pesquisa possa contribuir, através do debate sobre tecnologias e EJA, para que outras pesquisas e propostas de ações concretas possam ser geradas, contribuindo assim para a transformação da sociedade, garantindo que todos tenham direito à educação de qualidade.
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REFERÊNCIAS
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