MAPPING AND RISK ANALYSIS IN CONSTRUCTION SITES
AUTORES: Radamese Lima de Oliveira¹
Gil Costa Lima²
¹Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho
²Especialista em Engenharia Sanitária e Ambiental
RESUMO
O setor da construção civil apresenta uma das maiores taxas de acidentes de trabalho no Brasil, o que
evidencia a necessidade de aprimorar as práticas de gestão de riscos e segurança. Este artigo tem
como objetivo realizar uma revisão bibliográfica sobre o mapeamento e a análise de riscos em canteiros
de obras, destacando conceitos, classificações e medidas de controle indicadas pela literatura
especializada. Foram analisados livros, artigos científicos e legislações pertinentes, especialmente as
Normas Regulamentadoras NR-9 e NR-18. A revisão revelou a predominância de riscos físicos,
ergonômicos e de acidentes, frequentemente associados a quedas de altura, ruído e esforço físico
excessivo. Constatou-se que o mapeamento e a análise sistemática de riscos, aliados à promoção de
uma cultura de segurança, são estratégias essenciais para reduzir acidentes e promover ambientes de
trabalho mais seguros e sustentáveis na construção civil.
Palavras chave: Segurança do trabalho. Construção civil. Análise de riscos.
Mapeamento de riscos. NR-18.
ABSTRACT
The construction sector presents one of the highest rates of workplace accidents in Brazil, which highlights the need to improve risk management and safety practices. This article aims to conduct a literature review on risk mapping and analysis in construction sites, highlighting concepts, classifications, and control measures indicated by specialized literature. Books, scientific articles, and relevant legislation were analyzed, especially Regulatory Standards NR-9 and NR-18. The review revealed the predominance of physical, ergonomic, and accident risks, frequently associated with falls from height, noise, and excessive physical effort. It was found that the mapping and systematic analysis of risks, combined with the promotion of a safety culture, are essential strategies to reduce accidents and promote safer and more sustainable work environments in civil construction.
Palavras-chave: Segurança do trabalho. Construção civil. Risk analysis.
Risk mapping. NR-18.
Introdução
A construção civil é um dos setores mais relevantes da economia brasileira,
responsável pela geração de empregos e pelo crescimento urbano. No entanto,
também se destaca entre os segmentos com maior número de acidentes de trabalho.
Segundo o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (2023),
aproximadamente 20% dos acidentes com afastamento no país estão relacionados à
construção civil, o que evidencia a urgência de aprimorar as práticas preventivas.
O ambiente de um canteiro de obras é caracterizado por sua dinamicidade,
diversidade de tarefas e presença de múltiplas equipes, muitas vezes terceirizadas, o
que aumenta a complexidade da gestão de segurança. Historicamente, a
preocupação com prazos e custos prevaleceu sobre as condições de trabalho,
atrasando o avanço da cultura preventiva. Com o fortalecimento das políticas públicas
e das Normas Regulamentadoras, especialmente a NR-18 — que define as condições
e o meio ambiente de trabalho na construção —, o tema passou a receber maior
atenção técnica e institucional.
Nesse contexto, o mapeamento e a análise de riscos são ferramentas
fundamentais para a identificação e o controle de perigos presentes nas diversas
etapas da construção. Essas práticas permitem avaliar as condições do ambiente
laboral, planejar intervenções e orientar a tomada de decisão em prol da segurança e
saúde dos trabalhadores.
O presente artigo tem como objetivo discutir, com base em revisão bibliográfica,
os principais conceitos, métodos e medidas preventivas relacionadas ao mapeamento
e à análise de riscos na construção civil, destacando a importância da cultura de
segurança e da gestão integrada como pilares da prevenção.
2. Fundamentação Teórica
2.1 Segurança do Trabalho na Construção Civil
A segurança do trabalho na construção civil visa prevenir acidentes e doenças
ocupacionais decorrentes das condições e processos de execução de obras. Segundo
Chiavenato (2019), investir em segurança não é apenas um requisito legal, mas uma
estratégia organizacional que contribui para a produtividade e a sustentabilidade das
empresas.
A Norma Regulamentadora nº 18 (BRASIL, 2022) estabelece diretrizes de
planejamento, organização e controle das condições de trabalho, determinando
medidas que garantam a integridade física e a saúde dos trabalhadores. A aplicação
efetiva dessas medidas depende da integração entre gestão, fiscalização e
capacitação.
Monteiro e Silva (2022) destacam que a cultura de segurança constitui o
principal diferencial na prevenção de acidentes, pois reflete o compromisso coletivo
com práticas seguras. Empresas que valorizam a segurança incorporam-na como
parte de sua identidade organizacional, estimulando comportamentos proativos e
reduzindo significativamente a ocorrência de acidentes.
Dessa forma, a segurança na construção civil deve ser compreendida como
elemento estratégico de gestão, que envolve aspectos humanos, técnicos e
organizacionais. Um ambiente seguro melhora o desempenho das equipes, reduz
custos com afastamentos e aumenta a qualidade final das obras (Chiavenato, 2019).
2.2 Mapeamento de Riscos
O mapeamento de riscos é uma ferramenta visual e participativa que busca
identificar e representar graficamente os perigos existentes no ambiente de trabalho.
Segundo a Fundacentro (2018), essa técnica utiliza cores e símbolos padronizados
para facilitar a compreensão dos trabalhadores e promover a comunicação interna
sobre riscos ocupacionais.
A classificação dos riscos, conforme a metodologia da Fundacentro, é a
seguinte:
Riscos Físicos (verde): ruído, vibração, calor, radiações;
Riscos Químicos (vermelho): poeiras, fumos, gases, vapores;
Riscos Biológicos (marrom): vírus, fungos, bactérias;
Riscos Ergonômicos (amarelo): posturas inadequadas, esforço físico,
repetitividade;
Riscos de Acidentes (azul): quedas, choques elétricos, cortes, impactos.
De acordo com Rodrigues e Melo (2020), o mapeamento de riscos deve ser
atualizado periodicamente e envolver os trabalhadores em todas as etapas do
processo, garantindo que o diagnóstico reflita a realidade do ambiente laboral. Essa
participação estimula a conscientização coletiva e o senso de responsabilidade
compartilhada, elementos essenciais para a cultura preventiva.
2.3 Análise de Riscos
A análise de riscos é o processo de avaliação da probabilidade e da severidade
de um evento indesejado, permitindo priorizar medidas de controle. Métodos como a
Análise Preliminar de Riscos (APR), a Análise de Modos e Efeitos de Falha
(FMEA) e a Matriz de Riscos são amplamente empregados na construção civil
(Rodrigues; Melo, 2020).
A hierarquia das medidas de controle, estabelecida pela NR-9 (BRASIL, 2019),
deve priorizar ações eliminatórias e coletivas antes das individuais, seguindo a
seguinte ordem:
1. Eliminação do risco;
2. Medidas de proteção coletiva;
3. Medidas administrativas e organizacionais;
4. Equipamentos de proteção individual (EPI).
A análise de riscos é um processo dinâmico, que deve acompanhar as
mudanças nas condições de trabalho, nas tecnologias empregadas e nas fases da
obra. Segundo a Fundacentro (2018), revisões periódicas são indispensáveis para
garantir a eficácia das ações preventivas e manter a conformidade com as legislações
vigentes.
Além disso, o envolvimento dos trabalhadores é essencial. A participação ativa
permite identificar situações perigosas não previstas pelos gestores, contribuindo para
uma análise mais completa e efetiva. Assim, a gestão de riscos deve ser contínua,
participativa e integrada à rotina operacional.
2.4 Cultura de Segurança e Gestão Preventiva
A literatura evidencia que a eficácia das práticas de segurança depende,
sobretudo, da consolidação de uma cultura preventiva. Monteiro e Silva (2022)
afirmam que a cultura de segurança se constrói com o tempo, por meio de ações de
sensibilização, capacitação e comprometimento institucional. Chiavenato (2019)
reforça que a liderança tem papel determinante nesse processo. O exemplo dos
gestores, a comunicação transparente e o reconhecimento de boas práticas são
fatores que influenciam diretamente o comportamento coletivo. Reuniões de
segurança, Diálogos Diários de Segurança (DDS) e sinalizações eficazes são
instrumentos que reforçam a importância da prevenção.
Quando a segurança passa a ser entendida como valor — e não apenas como
obrigação normativa —, os resultados tornam-se duradouros. As empresas reduzem
acidentes, aumentam a produtividade e fortalecem sua imagem institucional. Além
disso, a consolidação de uma cultura preventiva requer que a segurança seja
incorporada a todas as etapas do processo produtivo, desde o planejamento do
projeto até a execução final da obra.
Segundo Rodrigues e Melo (2020), a prevenção deve ser tratada como parte
integrante da estratégia organizacional, e não como uma atividade paralela. Isso
implica integrar o tema da segurança aos cronogramas, orçamentos e metas de
desempenho, garantindo que cada decisão técnica considere o impacto sobre a
integridade física dos trabalhadores. Essa integração permite uma abordagem
sistêmica, em que segurança, produtividade e qualidade caminham juntas, evitando a
visão equivocada de que medidas preventivas representam apenas custos adicionais.
Outro aspecto fundamental é o investimento contínuo em capacitação e
atualização técnica dos profissionais. A Fundacentro (2018) destaca que o
conhecimento é a principal ferramenta de transformação comportamental, pois quanto
maior a compreensão sobre os riscos e suas consequências, maior tende a ser o
comprometimento individual com a prevenção. Treinamentos práticos, campanhas
educativas e programas de incentivo à participação ativa dos trabalhadores
contribuem para criar um ambiente de confiança e diálogo.
Dessa forma, o trabalhador deixa de ser apenas um executor e passa a atuar
como agente de segurança, participando do reconhecimento dos riscos, da
proposição de soluções e da disseminação de boas práticas no canteiro de obras.
3. Metodologia
Este artigo foi desenvolvido por meio de revisão bibliográfica, com base em
publicações especializadas, legislações e relatórios institucionais relacionados à
segurança do trabalho na construção civil. Foram analisados livros, artigos
acadêmicos, normas regulamentadoras e documentos técnicos da Fundacentro e do
Ministério do Trabalho.
A revisão foi estruturada em três eixos temáticos principais:
a) fundamentos da segurança do trabalho na construção civil;
b) mapeamento e análise de riscos;
c) importância da cultura de segurança na prevenção de acidentes.
Os materiais selecionados foram interpretados de forma comparativa e
descritiva, buscando identificar convergências conceituais e lacunas de pesquisa sobre o tema.
4. Discussão
A literatura consultada é unânime em reconhecer que o mapeamento e a
análise de riscos são ferramentas indispensáveis para a gestão preventiva na
construção civil. A combinação dessas práticas permite identificar perigos, avaliar
criticidades e planejar intervenções antes que ocorram acidentes.
De acordo com Fundacentro (2018) e Rodrigues e Melo (2020), a aplicação
conjunta de mapeamento e análise sistemática de riscos proporciona uma visão global
das condições de trabalho, facilitando a priorização das ações de controle. Além disso,
autores como Monteiro e Silva (2022) enfatizam que essas ferramentas são mais
eficazes quando inseridas em uma cultura organizacional voltada à segurança.
A literatura também aponta que medidas coletivas — como guarda-corpos,
sinalizações, treinamentos e pausas ergonômicas — são mais efetivas do que ações
isoladas baseadas apenas em EPIs. No entanto, a eficácia depende da integração
entre planejamento, fiscalização e comportamento seguro, conforme destaca
Chiavenato (2019).
Por fim, estudos recentes sugerem a incorporação de tecnologias digitais, como
drones e softwares de monitoramento, para aprimorar o mapeamento e a gestão de
riscos, permitindo o acompanhamento em tempo real das condições de segurança.
5. Conclusão
A revisão bibliográfica realizada permitiu compreender que o mapeamento e a
análise de riscos constituem instrumentos essenciais para a prevenção de acidentes
e doenças ocupacionais na construção civil. A aplicação dessas ferramentas, em
consonância com as Normas Regulamentadoras, permite identificar e controlar riscos
físicos, químicos, ergonômicos e de acidentes com maior eficácia.
Evidencia-se, ainda, que a construção de uma cultura de segurança é o
elemento central para o sucesso das práticas preventivas. A liderança participativa, o
treinamento contínuo e a comunicação efetiva são fatores que consolidam
comportamentos seguros e sustentáveis.
Portanto, promover o mapeamento e a análise de riscos de forma sistemática
e participativa é um passo fundamental para garantir ambientes de trabalho mais
seguros e eficientes, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do setor da
construção civil.
Além disso, a literatura reforça que a eficácia dessas ações depende da
integração entre gestão, planejamento e comportamento humano. A segurança
precisa ser tratada como parte indissociável da gestão de obras, com políticas claras,
indicadores de desempenho e acompanhamento constante. Quando os gestores
incorporam a prevenção como valor estratégico, cria-se um ambiente organizacional
em que a responsabilidade pela segurança é compartilhada por todos, fortalecendo o
comprometimento coletivo e reduzindo significativamente a incidência de acidentes.
Outro ponto relevante é o papel das políticas públicas e das normas
regulamentadoras como pilares de sustentação das boas práticas de segurança. A
atualização constante das NRs, aliada à fiscalização efetiva e à disseminação de
informações técnicas, contribui para padronizar procedimentos e elevar o nível de
exigência nas obras. Contudo, é fundamental que as empresas não se limitem ao
cumprimento formal das normas, mas avancem na implementação de práticas
inovadoras e na adoção de tecnologias que ampliem o monitoramento e a prevenção
dos riscos.
Por fim, observa-se que o futuro da segurança na construção civil passa pela
modernização das ferramentas de gestão de riscos. O uso de tecnologias digitais,
como sensores, drones e softwares de análise em tempo real, tende a revolucionar o
acompanhamento das condições de trabalho, proporcionando maior precisão nas
tomadas de decisão e na antecipação de perigos. Assim, a combinação entre
conhecimento técnico, inovação e cultura preventiva representa o caminho mais
promissor para transformar os canteiros de obras em espaços cada vez mais seguros,
produtivos e humanos.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 9 –
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). Brasília, 2019.
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 18 –
Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. Brasília, 2022.
CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas
organizações. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.
FUNDACENTRO. Mapeamento de Riscos: Guia Prático para Implementação. São
Paulo, 2018.
MONTEIRO, R.; SILVA, P. Cultura de Segurança e Comportamento Preventivo em
Canteiros de Obras. Revista Brasileira de Engenharia de Segurança, v. 8, n. 2, 2022.
RODRIGUES, A. P.; MELO, C. S. Gestão de Riscos Ocupacionais: Teoria e Prática
Aplicada. São Paulo: Blucher, 2020.
OBSERVATÓRIO DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO. Relatório Anual de
Acidentes de Trabalho no Brasil – 2023. Brasília: SmartLab, 2023.